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Os meus fundos de investimento – Balanço da semana #37 (26 de março)

Escrito por Pedro Andersson

26.03.21

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12 min de leitura

Fundos de investimento – Balanço semanal

Esta foi uma semana de queda nos meus fundos de investimento. Na semana passada – se bem se lembra – registei a melhor semana de sempre até agora. Tive um crescimento global de quase 21% em relação ao momento em que subscrevi os fundos. De uma semana para a outra (esta), esse crescimento regrediu 7%. Ou seja, está agora em “apenas” 13%.

Esta diferença muito grande em apenas uma semana é boa para você perceber a volatilidade (oscilação) deste tipo de investimento. Tanto pode estar a ganhar 30%, como pouco tempo depois estar a perder 20%. É mesmo assim. Se isto lhe faz confusão não se meta nisto. É escusado sofrer sem necessidade.

Por outro lado, se gosta de arriscar e julga ter pulso firme e coração forte, pode ganhar bastante com o dinheiro que consegue poupar. Devo dizer-lhe que o Pedro Andersson de há alguns anos, se estivesse na situação em que está hoje, já teria resgatado este dinheiro assim que tivesse chegado aos 10%. O Pedro Andersson de hoje já consegue pensar e investir a longo prazo. Foi uma das lições mais importantes que aprendi nestes últimos 3 anos. Vou simplesmente acompanhar e aguardar. O meu objetivo é ter na média de todos os meus investimentos 7% líquidos por ano com as minhas poupanças/investimentos.

Tem os gráficos com a evolução dos meus fundos de investimento mais abaixo.

Os avisos do costume (repito esta informação em todos os artigos)

Recordo-lhe que não sou um profissional desta área. Sou um cidadão curioso que está a partilhar a experiência consigo. Não são conselhos para fazer o que quer que seja. A única coisa que tenho para lhe mostrar são resultados reais, absolutamente rigorosos e sem filtros. Ganho, ganho, perco, perco. É o meu dinheiro. Não é uma conta virtual.

Como lhe tenho vindo a explicar ao longo destas semanas, qualquer lucro em Fundos de investimento pode ser temporário e as “perdas” fazem igualmente parte do percurso. Se perceber isto, nunca se sentirá enganado.

Porque faço isto

Em 2019 decidi começar a investir em Fundos de Investimento. Nunca na minha vida tinha investido em produtos sem garantia de capital. Sempre tive medo destas coisas. Mas decidi arriscar e estou aqui, como um cliente bancário “normal” a partilhar consigo a minha experiência.

Algumas pessoas criticam-me por estar a falar deste tipo de investimentos de risco sem ser profissional da área. Mas acredito que é isso mesmo que dá algum interesse a estes meus artigos. São MESMO as experiências de uma pessoa normal que está a aprender e a dizer-lhe o que estou a descobrir e o que estou a ganhar e a perder com isso. Para que você aprenda também. Depois o que você faz é consigo. Recordo-lhe que em Março estive a perder com os meus fundos (que agora estão a dar lucro) cerca de 30%, mas decidi esperar e não resgatar. É duro.

Concluí que de facto, para fazer crescer o nosso dinheiro, em algum momento, terá de colocar parte do seu dinheiro em produtos sem capital garantido.

O que vai encontrar aqui são dados reais (os meus) e não simulações de um banco ou corretora.

Expliquei neste artigo AQUI porque estou a fazer isto, onde tem vários avisos e explicações sobre os bancos onde tenho estes fundos – que deve ler – sobre porque deve conhecer várias alternativas de investimento. Quero que perceba que, ao contrário dos depósitos a prazo, o seu dinheiro sobe e desce todos os dias. Se isso lhe faz confusão, não se meta nisto.

Semana de 26 de março de 2021

Comecemos como habitualmente com o desempenho semanal dos meus 3 fundos “Poupança Covid-19”.

Semana de quedas

Breve contexto: Em minha casa, poupámos várias centenas de euros (porque ambos continuámos a trabalhar) durante esses meses da Covid-19. Decidimos pegar nesse dinheiro e (já que seria dinheiro que seria entregue às gasolineiras, restaurantes, escolas, portagens, etc.) investi-lo com mais risco. Felizmente conseguimos dar-nos a esse “luxo”. Há famílias que devem colocar este dinheiro num Fundo de emergência (depósito a prazo) e NUNCA os colocar em produtos de capital não garantido.

Subscrevi um fundo com o que a minha mulher não gastou durante o Estado de emergência (combustíveis e alimentação = 225,75 €), outro com o que o meu filho mais velho não gastou (passes e alimentação na escola = 153,12 €) e outro com o que o meu filho mais novo não gastou (a mensalidade da escola privada baixou e não teve atividades extracurriculares = 248,26 €).

ATUALIZAÇÃO: Em fevereiro de 2021, poupámos mais 230 euros com o segundo confinamento. Somei esse valor a um dos fundos e vou, a partir de agora, acrescentar esse reforço às nossas contas semanais. Em março, reforcei novamente com o mesmo valor (mais 230 euros).

Ou seja, no total, investi desde julho de 2020, em fundos de investimento 1086,89 €. Este valor é o que poupei por causa dos dois confinamentos.

A situação neste momento é a seguinte:

Esta semana

Semana anterior

Como pode ver, todos os 3 fundos desceram em relação à semana anterior. Mesmo assim, todos continuam bastante posititvos (30% e 25%).

O terceiro quase parece que não mexe, mas vai crescendo umas décimas de vez em quando. Por outro lado, como já percebeu ao longo destes meses é muito seguro e não cai de forma dramática nas crises das bolsas.

Recordo que dois dos fundos são em moeda estrangeira (dólares americanos e dólares canadianos) por isso tenho de fazer as contas ao câmbio. O banco faz essas contas por mim e estão no gráfico abaixo.

Em resumo, 37 semanas depois (9 meses), na média dos 3 fundos, e apesar dos altos e baixos ao longo das semanas, CONTINUO A GANHAR DINHEIRO, como poderá ver neste gráfico que atualizo todas as semanas. Já com os dois reforços.

Os meus “lucros” baixaram em relação à semana passada. Estou com um lucro bruto de 117,01€. Seriam 84,25 € limpos (tirando os 28% para o Estado).

Se está a pensar subscrever um fundo de investimento para experimentar, ligue para o banco e peça ajuda a um gestor de conta que perceba de fundos. Eles explicam-lhe tudo conforme o seu perfil. Passados uns meses, já vai conseguir escolher por si ou pelo menos ter algumas luzes sobre o que lhe estão a falar. Eu sou só um cliente curioso, como você.

Ao resgatar, teria de descontar no ano que vem 28% para o IRS anexando o Modelo respetivo de rendimentos no estrangeiro, ou de taxa liberatória retida na fonte se forem fundos nacionais (nos depósitos a prazo seria exatamente a mesma coisa). Não é melhor nem pior na questão de impostos. Só paga o devido de forma diferente (no IRS, no ano seguinte ao resgate).

Se um dia subscrever Fundos de Investimento pela primeira vez, sugiro que escolha em euros para ter uma leitura mais fácil para si e siga as instruções dos gestores de conta profissionais do banco ou corretora.

No total dos 3 fundos, no dia 16/07/2020 subscrevi 627,13 € (com um reforço de 229,80 em Fevereiro de 2021 e 229,96 em Março, ou seja 1.086,98 € no total) e se os resgatasse neste momento devolviam-me 1.203,90 €.

Se acha que são valores pequenos, só tem de multiplicar por 10. Se tivesse investido 10.800 euros nos mesmos 3 fundos, teria hoje mais 1.230 euros brutos. Se multiplicasse por 100 (ou seja, mais ou menos 100 mil euros) teria em 9 meses mais 12.300 euros para ir levantando e gastando. Mas se estivesse a perder, também seria na casa dos muitos milhares de euros. É isto que eu quero que perceba MUITO BEM logo desde o início.

É assim que o nosso dinheiro pode fazer dinheiro. Numa conta a prazo, não. Assim que alguém consegue chegar ao patamar das dezenas de milhares de euros e começa a investir começa logo a notar a diferença. Para cima e para baixo.

Ou seja, é desta forma que pode colocar o dinheiro a trabalhar para si. Tendo dinheiro (poupando-o e investindo-o) pode ao longo do tempo viver melhor, sabendo os riscos que corre.

Repito o alerta de sempre que esta estratégia é APENAS para uma pequena parte das suas poupanças a que se possa dar o “luxo” de perder. Não têm capital garantido.

Se na altura em que precisar desse dinheiro os seus Fundos estiverem negativos, o “segredo” é fazer de conta que esse dinheiro não existe e esperar que recuperem se o puder fazer.

Também pode resgatar quando quiser o valor correspondente ao “lucro ” e deixar o restante a render mais outra vez, mas perde o efeito do juros compostos.

Os meus outros fundos

Tenho um fundo “principal” que tento reforçar todos os meses, independentemente do que estiver a acontecer nas Bolsas. Veja como está esta semana:

O meu fundo de investimento “principal” também desceu um bocadinho esta semana. Conforme a data em que subscrevi cada unidade do mesmo fundo, um está a crescer cerca de 51% e o mais “baixinho” só cresce 0,85%. O outro fundo desceu para 30%.

Naturalmente, tenho o meu Fundo de Emergência fora deste tipo de produtos financeiros. É um ano de todas as minhas despesas. Esse dinheiro está numa conta à ordem (nem sequer está numa conta a prazo) a render zero. Mas é mesmo assim que o quero: sempre disponível. Neste momento, se me acontecesse uma “desgraça” conseguiria manter o meu atual nível de vida durante 12 meses sem qualquer apoio. Demorei vários anos a atingir esse valor. E desse dinheiro não arrisco 1 cêntimo. Está sempre em produtos com capital garantido. O resto arrisco um pouco mais, sim.

O que me sobra acima do fundo de emergência tenho uma parte em PPR, outra parte em Fundos de Investimento, outra parte de plataformas de crowdfunding e outra parte em ações, com riscos e rentabilidades diferentes. É a chamada diversificação. Se uma correr mal, as outras aguentam melhor (espero).

NOTA PERMANENTE: Recordo que se resgatar um fundo, o banco começa pelas unidades mais antigas. Não posso dizer que quero resgatar “aquela” dos 30 e tal por cento. É a regra do “first in, first out” (o primeiro a entrar é o primeiro a sair). Também deve perceber isto desde o princípio. Não pode escolher. Mas não tem de resgatar o fundo TODO. Pode ser só metade ou um terço ou um determinado valor e eles fazem as contas. Ou pode resgatar um fundo que está a dar lucro e deixar lá os que estão a dar prejuízo.

Pode investir pequenas poupanças. Não é preciso ser rico para ter um fundo de investimento (bastam 15 ou 20 euros, outros “custam” 100, 200 ou 300 euros). No print screen acima tem lá os valores que investi.

Cada fundo, sua rentabilidade

Estes outros fundos, noutro banco, subiram todos menos um.

O fundo “melhor” neste momento está a crescer 52% e o “pior” está a crescer cerca de 6%. Repito, todos estes fundos NÃO TÊM garantia de capital. Daqui a umas semanas posso estar aqui a dizer-lhe que estou a perder 30 ou 40% de tudo o que investi até hoje (caso resgatasse nesse dia).

Esta semana

Na semana passada

Todos desceram 1, 2 ou 3%. Isto é perfeitamente normal. Faz parte do sobe e desce das bolsas internacionais. Os Fundos de Investimento são compostos por um “cesto” de ações e de setores de actividade mas refletem essas escolhas em várias bolsas do mundo. Tem milhares para escolher. Peça ajuda no seu banco para escolher um que se adeque ao seu perfil.

Quando resgato?

Pode ter duas estratégias: ou resgata sempre que atingir o seu objetivo em termos de juros ou decide manter vários anos à espera que (apesar do sobe e desce) vá sempre subindo ano após ano durante 10, 20 ou 30 anos. Mas não se esqueça de que sempre que resgata perde 28% do lucro para o Estado. Não convém estar sempre a fazê-lo.

Outra dúvida que as pessoas têm é se o que cresce este ano acumula com o crescimento do ano que vem. Sim e não. Não acumula no sentido em que fica fechado o que cresceu este ano e começa outra vez do zero a 1 de Janeiro. Não é assim que funciona.

O fundo cresce (ou desce) em relação ao dia em que o subscreveu. Depende dos valores em bolsa de cada uma das empresas que fazem parte de cada fundo. Se elas cresceram em relação ao dia em que subscreveu vai ganhar (ou perder) a diferença face ao dia em que resgatar.

Pode ter um fundo que cresceu 10% ao ano ao longo de 10 anos (ou seja, mais do duplicou o investimento graças ao efeito dos juros) e apanha uma “pandemia” no ano 11 e de repente volta a estar negativo e perdeu todo esse “crescimento”. Também pode subscrever este ano e estar a ganhar 15% no ano que vem. Só você é que pode decidir o que fazer com o que estiver a ganhar a cada momento. Está sempre tudo à distância de um clique no computador.

Volto para a semana com a atualização deste balanço.

Veja neste vídeo como subscrevi os meus fundos.

Avisos

Nunca deve ver a minha carteira de investimentos ou o que eu digo como um conselho sobre como e onde deve investir ou que fundos deve escolher. Há milhares de fundos. 

Não tenho qualquer formação financeira e sou um simples cliente bancário com muita curiosidade. Quando quiser subscrever fundos pela primeira vez deve contactar um gestor especializado no seu banco ou corretora. Nunca invista dinheiro de que vai precisar para outros fins. Pode perder dinheiro, se precisar levantá-lo numa altura em que estiver com valores negativos e não puder esperar meses ou anos até que eles recuperem.


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9 Comentários

  1. Pedro

    Para partilhar, sou Trabalhador Independente e este ano deixei de estar isento de IVA. Ora como as deduções específicas no final das contas é algum dinheiro extra que entra, sem qualquer esforço. Todos os trimestres vou colocar esse valor que recebo extra num Fundo de Investimento, vai ser o meu “Fundo do IVA”. Por acaso é um dos que tem 🙂

    Responder
  2. André Bandeira

    Caro Pedro Andersson.
    Em primeiro lugar, muito obrigado pelo seu verdadeiro serviço público!
    Estou quase “viciado” nas suas publicações, ouço aos 7/8 podcast seguidos. Revejo-me tanto no Pedro. Ganho acima da média e apenas agora (literalmente, há 2 semanas quando esbarrei com um podcast seu) é que me comecei a preocupar e a importar para onde ia realmente o meu dinheiro.
    Neste post Pedro abordou precisamente a minha dúvida relativa a investimentos sem capital garantido: o RESGATE. Isto é, eu já percebi que, preferencialmente, devo comprar unidades/ações quando elas estão em queda, não me devo assustar até certo ponto quando estiver a perder dinheiro (devo aguardar que voltem a subir), a questão é: quando resgatar? Teoricamente, quando um fundo valoriza, por exemplo, 25/30% não seria de o resgatar e reinvestir em fundos que estivessem em queda? Ou é a questão dos 28% de impostos que o “impede”?
    Será que pode abordar mais pormenorizadamente este assunto?
    Muito obrigado por tudo!
    André

    Responder
  3. André Bandeira

    Caro Pedro Andersson,
    muito obrigado pelo seu autêntico serviço público!
    Revejo-me tanto no Pedro, também eu ganho um pouco acima da média e só agora, aos 42 anos, por “culpa sua” 😉 é que decidi começar a importar-me para onde vai o meu dinheiro. Agora estou praticamente viciado nas suas reflexões, ouço aos 5 seus podcast de cada vez.
    Neste post, o Pedro abordou ainda que ligeiramente a minha principal dúvida relativamente aos investimentos sem capital garantido : o RESGATE.
    Isto é, eu já percebi que, preferencialmente, devo investir em unidades/ações que estão em queda, que não me devo assustar demasiado quando a rentabilidade desce e que tenho de esperar até que ela suba novamente, a minha dúvida é quando resgatar? Teoricamente, quando estou a ganhar 25/30% não deveria resgatar e reinvestir em produtos em queda? É somente os 28% que o desaconselha?
    Será que poderia abordar este tema do resgate mais pormenorizadamente?
    Muito obrigado por tudo!
    André Bandeira

    Responder
    • André Bandeira

      Desculpe a repetição, pensei que o primeiro não tivesse “entrado”.

      Responder
    • Pedro Andersson

      Olá André. A minha “teoria” é a seguinte e não tem nada de certezas. Se está a crescer bem e prevejo que vai continuar a crescer, porquê cortar uma árvore que está a gerar bons frutos para investir numa que ainda não deu provas? A minha estratégia é manter o que está bom e a crescer e investir nas quedas com dinheiro NOVO. Perguntar-me-á: mas isso vai resultar? Respondo-lhe daqui a 15 anos 🙂

      Responder
      • André Bandeira

        Pois, é isso… não há certezas:) Obrigado e continue, por favor.
        Muita saúde!

        Responder
  4. Catarina Nunes da Costa

    Boa noite Pedro

    Muitos investidores privilegiam os ETF´s aos Fundos de Investimento, gostaria de saber a sua opinião.
    Apenas tem fundos de investimentos? Já ouvi no seu podcast a explicação sobre os etf´s, mas nunca o vi a explorar isso num artigo (corrija-me se estiver enganada).

    Obrigado pelo excelente trabalho.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Tenho os dois. Mas tem razão, só falei disso no podcast. Vou escrever um artigo sobre os ETF :). Os que tenho estão a crescer mais de 10%. Subscrevi na Degiro.

      Responder
      • Paula Catarina Nunes da Costa

        Fantástico, Ficarei a aguardar!

        Responder

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