Os meus fundos de investimento – Balanço da semana #27 (14 de Janeiro)

Escrito por Pedro Andersson

15.01.21

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11 min de leitura

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Fundos de investimento – Balanço semanal

Esta está a ser a segunda melhor semana de sempre. Estou a ganhar 11,49% brutos. Quem diria que estaria a ter uma rentabilidade tão alta apenas 6 meses depois de ter subscrito os meus 3 fundos “covid” quase por brincadeira?

Já vos darei os detalhes do crescimento e comportamento de cada um dos meus fundos de investimento, mas quero começar por vos dizer já que (uma vez que entrámos de novo em confinamento) vou reforçar estes fundos com o que poupar neste mês. Esse foi o desafio que vos lancei no episódio desta semana do podcast “Pedro Andersson – Contas-poupança”. Ouçam com atenção e avaliem.

Seja como for, estou consciente de que não pouparei tanto como em Março e Abril do ano passado. Os meus miúdos continuam na escola com todas as despesas e a minha mulher continua a trabalhar presencialmente (é professora). Logo, não estou a ver onde é que vou poupar… Aliás, prevejo até que poderei ter de aumentar um pouco o meu orçamento em refeições Take Away. Desta vez, até posso vir a ter algum prejuízo. Estou a controlar. Depois digo como correu.

Os meus ETF e algumas das minhas ações na bolsa tiveram também um grande crescimento embora hoje, especificamente, tenham sofrido uma queda acentuada. Tudo normnal.

Tem os gráficos com a evolução dos meus fundos de investimento mais abaixo.

Os avisos do costume (repito esta informação em todos os artigos)

Recordo-lhe que não sou um profissional desta área. Sou um cidadão curioso que está a partilhar a experiência consigo. Não são conselhos para fazer o que quer que seja. A única coisa que tenho para lhe mostrar são resultados reais absolutamente rigorosos e sem filtros. Ganho, ganho, perco, perco. É o meu dinheiro. Não é uma conta virtual.

Como lhe tenho vindo a explicar ao longo destas semanas, qualquer lucro em Fundos de investimento pode ser temporário e as “perdas” fazem igualmente parte do percurso. Se perceber isto, nunca se sentirá enganado.

Porque faço isto

Em 2019 decidi começar a investir em Fundos de Investimento. Nunca na minha vida tinha investido em produtos sem garantia de capital. Sempre tive medo destas coisas. Mas decidi arriscar e estou aqui, como um cliente bancário “normal” a partilhar consigo a minha experiência.

Algumas pessoas criticam-me por estar a falar deste tipo de investimentos de risco sem ser profissional da área. Mas acredito que é isso mesmo que dá algum interesse a estes meus artigos. São MESMO as experiências de uma pessoa normal que está a aprender e a dizer-lhe o que estou a descobrir e o que estou a ganhar e a perder com isso. Para que você aprenda também. Depois o que você faz é consigo. Recordo-lhe que em Março estive a perder com os meus fundos (que agora estão a dar lucro) cerca de 30%, mas decidi esperar e não resgatar. É duro.

Concluí que de facto, para fazer crescer o nosso dinheiro, em algum momento, terá de colocar parte do seu dinheiro em produtos sem capital garantido.

O que vai encontrar aqui são dados reais (os meus) e não simulações de um banco ou corretora.

Expliquei neste artigo AQUI porque estou a fazer isto, onde tem vários avisos e explicações sobre os bancos onde tenho estes fundos – que deve ler – sobre porque deve conhecer várias alternativas de investimento. Quero que perceba que, ao contrário dos depósitos a prazo, o seu dinheiro sobe e desce todos os dias. Se isso lhe faz confusão, não se meta nisto.

Semana de 14 de Janeiro de 2021

Comecemos como habitualmente com o desempenho semanal dos meus 3 fundos “Poupança Covid-19”.

Fundos (ainda) na melhor semana de sempre

Breve contexto: Em minha casa, poupámos várias centenas de euros (porque ambos continuámos a trabalhar) durante esses meses da Covid-19. Decidimos pegar nesse dinheiro e (já que seria dinheiro que seria entregue às gasolineiras, restaurantes, escolas, portagens, etc.) investi-lo com mais risco. Felizmente conseguimos dar-nos a esse “luxo”. Há famílias que devem colocar este dinheiro num Fundo de emergência (depósito a prazo) e NUNCA os colocar em produtos de capital não garantido.

Subscrevi um fundo com o que a minha mulher não gastou durante o Estado de emergência (combustíveis e alimentação = 225,75 €), outro com o que o meu filho mais velho não gastou (passes e alimentação na escola = 153,12 €) e outro com o que o meu filho mais novo não gastou (a mensalidade da escola privada baixou e não teve atividades extracurriculares = 248,26 €). A situação neste momento é a seguinte:

Esta semana

Semana anterior

Como pode verificar, nesta semana os 3 fundos tiveram comportamentos completamente diferentes: um cresceu imenso, outro cresceu poucochinho e outro perdeu. Na média, neste momento de 11,49% brutos. Pode comparar com 0,1% que estão a dar os bancos nos depósitos a prazo. 115 vezes mais, em metade do tempo. Sim, um tem risco e os outros não têm.

Recordo que dois dos fundos são em moeda estrangeira (dólares americanos e dólares canadianos) por isso tenho de fazer as contas ao câmbio. O banco faz essas contas por mim e estão no gráfico abaixo.

Em resumo, 27 semanas depois (6 meses), na média dos 3 fundos, e apesar dos altos e baixos ao longo das semanas, ESTOU A GANHAR DINHEIRO, como poderá ver neste gráfico que atualizo todas as semanas.

Se resgatasse hoje os fundos que subscrevi no início de Julho, ganharia 72,08 € brutos. É 72 vezes mais do que o mesmo dinheiro num depósito a prazo ao fim de um ano. Repare como o comportamento dos 3 fundos é diferente exatamente nas mesmas semanas, conforme o tipo de ações e obrigações que tem lá dentro.

O mais estável dos 3 é o UBS CAD. Cresce muito pouco mas nunca tem grandes quebras. É quase como se fosse de “capital mais ou menos garantido”. Ou outros dois são mais “montanha russa”. Mas quando crescem, crescem muito mais.

Se está a pensar subscrever um fundo de investimento para experimentar ligue para o banco e peça ajuda a um gestor de conta que perceba de fundos. Eles explicam-lhe tudinho conforme o seu perfil. Passados uns meses já vai conseguir escolher por si ou pelo menos ter algumas luzes sobre o que lhe estão a falar.

Ao resgatar, teria de descontar no ano que vem 28% para o IRS anexando o Modelo respetivo de rendimentos no estrangeiro, ou de taxa liberatória retida na fonte se forem fundos nacionais (nos depósitos a prazo seria exatamente a mesma coisa). Não é melhor nem pior na questão de impostos. Só paga o devido de forma diferente (no IRS, no ano seguinte ao resgate).

Se um dia subscrever Fundos de Investimento pela primeira vez sugiro que escolha em euros para ter uma leitura mais fácil para si e siga as instruções dos gestores de conta profissionais do banco ou corretora.

No total dos 3 fundos, no dia 16/07/2020 subscrevi 627,13 € e se os resgatasse neste momento devolviam-me 699,91 €.

Se acha que são valores pequenos, só tem de multiplicar por 10. Se tivesse investido 6.200 euros nos mesmos 3 fundos, teria agora mais 700 euros brutos. E agora na loucura, se multiplicasse por 100 (ou seja, 62 mil euros) teria em 6 meses 7.000 euros para ir levantando e gastando. Mas se estivesse a perder, também seria na casa dos muitos milhares de euros. É isto que eu quero que perceba MUITO BEM logo desde o início.

É assim que o nosso dinheiro pode fazer dinheiro. Numa conta a prazo, não. Só isto. Assim que alguém consegue chegar ao patamar das dezenas de milhares de euros e começa a investir começa logo a notar a diferença. Para cima e para baixo.

Ou seja, é desta forma que pode colocar o dinheiro a trabalhar para si. Tendo dinheiro (poupando-o e investindo-o) pode ao longo do tempo viver melhor, sabendo os riscos que corre.

Repito o alerta de sempre que esta estratégia é APENAS para uma pequena parte das suas poupanças a que se possa dar o “luxo” de perder. Não têm capital garantido.

Se na altura em que precisar desse dinheiro os seus Fundos estiverem negativos, o “segredo” é fazer de conta que esse dinheiro não existe e esperar que recuperem se o puder fazer.

Os meus outros fundos

Tenho um fundo “principal” que tento reforçar todos os meses, independentemente do que estiver a acontecer nas Bolsas. Veja como está esta semana:

Como pode ver, a unidade que tem vindo a crescer mais (que subscrevi a 13 de Março) está esta semana nos 46%.

As unidades que subscrevi em Dezembro já estão positivas. Reparem como em apenas 15 dias, estou a ganhar nas de dia 14, 2,42% e nas de dia 18 de Dezembro, 1,59%. Sim, basta uma crise qualquer para tudo isto ir parar a valores negativos. É o risco que corro.

Naturalmente tenho o meu Fundo de Emergência fora deste tipo de produtos financeiros. Esse dinheiro está numa conta à ordem (nem sequer está numa conta a prazo) a render zero. Mas é mesmo assim que o quero: sempre disponível. E desse dinheiro não arrisco 1 cêntimo. Está sempre em produtos com capital garantido. O resto arrisco um pouco mais, sim.

O que me sobra acima do fundo de emergência tenho uma parte em PPR, outra parte em Fundos de Investimento, outra parte de plataformas de crowdfunding e outra parte em ações, com riscos e rentabilidades diferentes. É a chamada diversificação. Se uma correr mal, as outras aguantam melhor (espero).

O outro fundo que mantenho neste banco, está atualmente a ganhar 24%. Subiu ligeiramente em relação à semana passada.

NOTA PERMANENTE: Recordo que se resgatar um fundo, o banco começa pelas unidades mais antigas. Não posso dizer que quero resgatar “aquela” dos 30 e tal por cento. É a regra do “first in, first out” (o primeiro a entrar é o primeiro a sair). Também deve perceber isto desde o princípio. Não pode escolher. Mas não tem de resgatar o fundo TODO. Pode ser só metade ou um terço ou um determinado valor e eles fazem as contas. Ou pode resgatar um fundo que está a dar lucro e deixar lá os que estão a dar prejuízo.

Pode investir pequenas poupanças. Não é preciso ser rico para ter um fundo de investimento (bastam 15 ou 20 euros, outros “custam” 100, 200 ou 300 euros). No print screen acima tem lá os valores que investi.

Cada fundo, sua rentabilidade

Estes outros fundos, noutro banco, subiram todos esta semana.

O fundo “melhor” neste momento está a crescer 33% e o “pior” já não está negativo e está a crescer 0,97%. Esteve negativo várias semanas. Repito, todos estes fundos NÃO TÊM garantia de capital.

Esta semana

Na semana passada

Quando resgato?

Pode ter duas estratégias: ou resgata sempre que atingir o seu objetivo em termos de juros ou decide manter vários anos à espera que (apesar do sobe e desce) vá sempre subindo ano após ano durante 10, 20 ou 30 anos.

Outra dúvida que as pessoas têm é se o que cresce este ano acumula com o crescimento do ano que vem. Sim e não. Não acumula no sentido em que fica fechado o que cresceu este ano e começa outra vez do zero a 1 de Janeiro. Não é assim que funciona.

O fundo cresce (ou desce) em relação ao dia em que o subscreveu. Depende dos valores em bolsa de cada uma das empresas que fazem parte de cada fundo. Se elas cresceram em relação ao dia em que subscreveu vai ganhar (ou perder) a diferença face ao dia em que resgatar.

Pode ter um fundo que cresceu 10% ao ano ao longo de 10 anos (ou seja, mais do duplicou o investimento graças ao efeito dos juros ) e apanha uma “pandemia” no ano 11 e de repente volta a estar negativo e perdeu todo esse “crescimento”. Também pode subscrever este ano e estar a ganhar 15% no ano que vem. Só você é que pode decidir o que fazer com o que estiver a ganhar a cada momento. Está sempre tudo à distância de um clique no computador.

Volto para a semana com a atualização deste balanço.

Veja neste vídeo como subscrevi os meus fundos.

Avisos

Nunca deve ver a minha carteira de investimentos ou o que eu digo como um conselho sobre como e onde deve investir ou que fundos deve escolher. Há milhares de fundos. 

Não tenho qualquer formação financeira e sou um simples cliente bancário com muita curiosidade. Quando quiser subscrever fundos pela primeira vez deve contactar um gestor especializado no seu banco ou corretora. Nunca invista dinheiro de que vai precisar para outros fins. Pode perder dinheiro, se precisar levantá-lo numa altura em que estiver com valores negativos e não puder esperar meses ou anos até que eles recuperem.



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11 Comentários

  1. Sofia Goreti Coutinho Machado

    Só uma chamada de atenção em relação ao fundo de emergência.
    Porque não aplica no bankinter?
    Eu abri conta no bankinter apenas para o fundo de emergência.
    Todos os meses faço a transferência de 800€ e passado uns dias retiro os 800€.
    O primeiro ano pagam a 5% e o segundo ano a 2% sobre o valor à ordem (até ao máximo de 5mil€).
    (Pessoa atenta como é, tenho a certeza que já terá conhecimento dessa conta ou pelo menos já ouviu falar)

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Sim, é o que vou fazer. É a melhor opção atualmente. Ainda não tive tempo 🙂

      Responder
    • Anabela de Sousa Saldanha

      Boa tarde,
      Estou interessada em abrir conta no Bakinter para fundo de emergência. Sabe informar-me se existe alguma cláusula de fidelização?

      Responder
      • Pedro Andersson

        Olá Anabela, o que lhe responderam no banco quando perguntou?

        Responder
        • Anabela

          Esqueci-me de realizar essa pergunta. No entanto, vou questionar (antes de abrir conta) e depois respondo.
          Cumprimentos.

          Responder
  2. Mickaël

    Boa tarde Sofia. Gostaria que me explicasse melhor , para poder aplicar a sua dica. Estaria disponível ? Obrigado

    Responder
  3. Hugo

    Bom dia, desde já o meu muito obrigado pela informação útil que retiro de seus programas e que sigo religiosamente.
    Se possível gostaria de saber a sua opinião para decidir um assunto.
    Tenho atualmente (pago cerca 300€/mês (30 € juros incluído) + 31€ seguro vida, Euribor a 6 meses, spread 0,5, Banco Santander Totta Tenho 42 anos.
    Que aconselha, amortizar totalidade ou investir parte em fundos/PPR/Seguros. Nas minhas contas, amortizar crédito, poupo 61€ todos os meses, fim ano dá 732€+-. A investir seria em risco moderado pois tenho sempre tido certificados Aforro do estado.
    Se poder responder agradecia…obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Hugo. Apaguei parte do seu texto. Não exponha tantos dados. Eu sou de confiança (digo eu), mas há quem não seja…

      Responder
  4. Fernando Casquinha

    Boa tarde Pedro, gostaria de saber se com base na sua experiência em pprs o que aconselha mais, entre juntar dinheiro e fazer um ppr ou pondo dinheiro mensalmente ( no caso das pessoas quê não têm capital para fazer ), obrigado

    Responder
  5. Hugo

    Bom dia, desde já o meu muito obrigado pela informação útil que retiro de seus programas e que sigo religiosamente.
    Se possível gostaria de saber a sua opinião para decidir um assunto.
    Tenho atualmente (pago cerca 300€/mês (30 € juros incluído) + 31€ seguro vida, Euribor a 6 meses, spread 0,5, Banco Santander Totta Tenho 42 anos.
    Que aconselha, amortizar totalidade ou investir parte em fundos/PPR/Seguros. Nas minhas contas, amortizar crédito, poupo 61€ todos os meses, fim ano dá 732€+-. A investir seria em risco moderado pois tenho sempre tido certificados Aforro do estado.
    Se poder responder agradecia…obrigado

    Responder
  6. Gonçalo

    Boa noite,
    Neste momento tenho conta na degiro, mas como quero fazer investimento de longo prazo estou a pensar mudar para um banco (apesar das mais altas) por questões de segurança.
    Poderia explicar como funcionam as taxas no activo bank (taxas de subscrição, venda e custódia de ETF/ações)?
    Ando a tentar perceber qual é o banco com as melhores taxas, mas está complicado…

    Responder

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