Painel solar fotovoltaico – Balanço de Novembro de 2020 (mês 48)

Escrito por Pedro Andersson

13.12.20

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6 min de leitura

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Balanço do mês de Novembro de 2020

Novembro tem sido quase sempre o pior mês do ano no que diz respeito à produção do meu painel solar. Ainda não sei como vai terminar Dezembro, mas até agora foi o pior mês do ano como esperava.

O meu painel solar produziu em Outubro pouco mais de 19 kWh. É muito pouco, mas o painel não consegue produzir mais, é o sol que temos…  O problema, naturalmente, não é do painel.

A minha poupança em Novembro seria de apenas 3,28 € se tivesse consumido tudo o que produziu. Como tive um desperdício de 13% este mês (como não consumi aquela eletricidade naquele segundo ele foi oferecido à rede), a minha poupança real foi de 2,84 € em Novembro.

Como já sei que muitas pessoas vão perguntar, comprar baterias (mais 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia cerca de 5 mil euros. Eu não tenho esse orçamento e demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores. Essa opção é boa para soluções “off-grid”, ou seja em locais isolados sem acesso a eletricidade da rede.

Os números de Novembro de 2020

Tem aqui o gráfico da produção do painel ao longo dos meses mais recentes. Para quem está aqui pela primeira vez, ou recentemente, quero relembrar que o painel solar instala-se no telhado (aparafusa-se), aponta para sul e a tomada que sai do painel liga a uma tomada normal em sua casa (no meu caso é na tomada da arrecadação junto ao telhado, uma vez que moro num andar a meio do prédio). Sempre que há sol ele produz eletricidade. É como se fosse um frigorífico, só que em vez de gastar eletricidade, injeta eletricidade em minha casa.

A sua casa consome sempre primeiro a energia do painel. Portanto, se ele produzir o suficiente para o frigorífico e uma ou duas luzes ligadas, não vai buscar nada à “EDP”. É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento. 

Tem a seguir o gráfico que mostra os dias. Como pode ver, nos dias mais recentes os dias têm sido muito fraquitos. Normal.

As contas

O que o painel fotovoltaico de 250 W produziu em Outubro representou 3,28 € de poupança na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu no mês passado. 

Aproveito para lhe recordar este artigo sobre como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa.

Neste momento o meu desafio é juntar todas estas formas de poupança diferentes para deixar de pagar eletricidade durante muitos anos. Explico neste artigo como estou a planear passar a ter faturas de eletricidade quase a zero. Ainda não consegui, mas vou no bom caminho.

Se tivesse consumido tudo o que o painel produziu teria já poupado até agora 312,17 €. O retorno do investimento continua abaixo dos 8 anos. Pelo preço dos painéis hoje, já estaria pago. O meu foi barato na altura, mas caro para os dias de hoje (tudo ficou-me em 620 euros, com instalação e material extra).

No gráfico abaixo tem a produção total do painel em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade. Este gráfico é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Assim consigo comparar as duas coisas.

Compensa comprar um painel solar?

Como não consumo tudo o que o painel produz, com o aparelho de medição de consumos que tenho instalado e que mede a exportação de eletricidade, sei que em Novembro “desperdicei” exatamente 13,4% . 

As barras são a quantidade de eletricidade que desperdiço para a rede. Se não gastar aquela eletricidade no segundo em que é produzida vai para a “EDP”/E-Redes vender a si. E eu não ganho nada com isso.

Aqui tem o meu desperdício por mês. Como pode verificar, Agosto por ser mês de férias e com a casa mais vazia, o desperdício foi quase de 25%. Nos meses normais, com apenas um painel, tenho um desperdício de 5% e agora superior a 10% porque o painel produz menos. Agora imagine alguém que tem 4 ou 6 painéis (por indicação da empresa instaladora)  a quantidade de desperdício que tem, pensando que está a poupar.

Feitas as contas, dei à rede em Novembro 0,44 € (que não poupei). Não me parece ser muito relevante.

É por estas contas que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir.

Assim, o retorno real (o chamado break even) continua pelas minhas contas perto dos 10 anos (reais). Depois de passado esse tempo, o painel estará pago e terei pelo menos mais 15 anos de “lucro”. Veremos se é assim. Mensalmente continuarei a fazer aqui o balanço para o ajudar a avaliar se deve ou não comprar um (ou vários) painéis solares.



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8 Comentários

  1. Filipe

    Olá Pedro,
    Fui o autor de explicar a sombra da chaminé…:-) A tal quebra de produção…Lembras-te certamente.
    Agora vou ser o autor do seguinte:
    Se verificares como é normal de ano para ano a produção diminui, fruto das células a perder rentabilidade, por isso as projeção de retorno irá aumentar ligeiramente com o passar dos anos, fruto das células “cansadas”.
    Mas não é caso para te preocupares, pois tens bom preçário e descontos na energia, tudo junto ajuda a colmatar.
    Gostei de ver o gráfico e de partilhar essa conclusão.

    Responder
  2. Luís Mendes

    Bom dia Pedro.
    Recorda me o custo inicial, compra e instalação do Painel?
    Hoje certamente encontra-se painéis mais baratos e com rendimento de produção maior, certo?
    Onde esta ligado o teu painel?, a algum sistema em especial, ou diretamente a uma tomada?

    Obrigado pela continua partilha

    Responder
  3. Paulo Fernandes

    Boa tarde Pedro

    Pedia a sua análise a esta situação, na sequência da publicação do Despacho 6453/2020, 2020-06-19 e as declarações do Sec Estado João Galamba foram as seguintes “foi enviado para publicação, e demos uma isenção total de CIEG para todos os projetos que utilizem a rede pública, sejam de autoconsumo coletivo ou de comunidades de energia, enquanto o individual tem apenas uma redução de 50%”.

    De referir que a CIEG é responsável por cerca de 30% do valor da fatura da eletricidade em Portugal, e a sua isenção total ou parcial tem estado em discussão desde outubro de 2019, através do decreto-lei 162/2019, na altura aprovou o regime jurídico aplicável ao autoconsumo de energias renováveis.
    Ora a interpretação que eu e muitos outros fizemos é que quem produzisse energia em autoconsumo e injetasse os excedentes na rede teria direito a isenção de 50% dos CIEG. Agradecia que o Pedro se possível ajude a esclarecer esta situação pois até agora ainda não consegui obter resposta junto do meu Operador de Rede.
    Estes links tem as noticias:

    https://www.portal-energia.com/autoconsumo-isencao-custos-consumidores/
    https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/energia/detalhe/producao-de-energia-para-autoconsumo-com-isencoes-nos-cieg-por-sete-anos

    Responder
  4. Ricardo

    Olá Pedro

    Sou leitor assíduo dos seus posts.
    Estou a ponderar investir, inicialmente para a minha casa e eventualmente para a minha empresa, neste tipo de painéis solares. Tentámos poupar electricidade com o contador bi-horário mas cheguei à conclusão que me estava a sair mais caro, pois não conseguia coincidir a noite com os maiores consumos de energia (e estava a pagar mais caro o kw durante o dia). Com uma solução deste tipo, o máximo benefício seria durante as horas de sol, pelo que pode-me compensar.
    A minha questão é: no seu caso o retorno de investimento previsível seria 8 anos em que zona do país? Eu vivo em Santa Maria da Feira, e as horas de sol serão muitos menores do que em Lisboa.
    O meu receio é que numa zona como a minha (com pouco sol) o retorno poderia ser muito demorado ou até inviável…

    Responder
  5. Pedro Antunes

    Caro Pedro Andersson,

    Por mais pesquisas que já tenha tentado, não encontro nada referente ao Orçamento de Estado 2020 em que estava previsto o Artigo 333.º
    Como estamos a chegar à fase de entregas de IRS, não tarda, gostaria de saber se tem conhecimento de como ficou este artigo.

    Artigo 333º
    1 – Fica o Governo autorizado a criar deduções ambientais que incidam sobre as aquisições de unidades de produção renovável para autoconsumo, bem como de bombas de calor com classe energética A ou superior, desde que afetas a utilização pessoal, para efeitos de, respetivamente, promoção e disseminação da produção descentralizada de energia a partir de fontes renováveis de energia e comunidades de energia e o fomento de equipamentos mais eficientes.
    2 – O sentido e a extensão da autorização legislativa prevista no número anterior consistem em permitir a dedução à coleta do IRS de cada sujeito passivo, num montante correspondente a uma parte do valor suportado a título daquelas despesas e que constem de faturas que titulem aquisições de bens e serviços a entidades com a classificação das atividades económicas apropriada, com o limite global máximo de 1000 (euro).
    3 – A presente autorização legislativa tem a duração do ano económico a que respeita a presente lei.

    Instalei 4 painéis fotovoltaicos com respetivo inversor em Maio 2020, pretendia incluir esta despesa no meu próximo IRS.

    Melhores cumprimentos
    Atentamente,
    Pedro Antunes

    Responder

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