Os meus fundos de investimento – Balanço da semana #17 (5 de Novembro)

Escrito por Pedro Andersson

05.11.20

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11 min de leitura

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Fundos de investimento – Balanço semanal

Apesar das bolsas terem afundado na última semana, por causa do regresso da pandemia e da incerteza com as eleições nos EUA, continuo com resultado positivo. Devo avisar-vos que estou à espera de rapidamente virar negativo. E vou encarar isso com toda a naturalidade.

Aliás, se ficar muito negativo aproveitarei para reforçar os fundos que tenho. Bem, nesta altura, como acabei de fazer um PPR cada cada membro da família, se calhar aproveitarei para reforçar os PPR em vez dos fundos de Investimento. Ainda não sei. Vou ver qual dos dois cai mais. Vou reforçar o que cair mais.

Aproveito para lhe relembrar que um Fundo PPR É UM FUNDO DE INVESTIMENTO, só que com outro tipo de legislação e com impostos menores no resgate.

Esta semana o lucro que estava a ter baixou novamente. Está a aproximar-se do zero.

Obviamente, não me vou desfazer dos que tenho e que provavelmente entrarão em terreno negativo. A minha perspectiva é a longo prazo.

Estes investimentos feitos agora são feitos com a ideia de que a pandemia vai passar (mesmo que seja daqui a 2 anos) e que as economias (a norte-americana também) vão recuperar e voltar a crescer.

Os avisos do costume (repito esta informação em todos os artigos)

Recordo-lhe que não sou um profissional desta área. Sou um cidadão curioso que está a partilhar a experiência consigo. Não são conselhos para fazer o que quer que seja. A única coisa que tenho para lhe mostrar são resultados reais absolutamente rigorosos e sem filtros. Ganho, ganho, perco, perco. É o meu dinheiro. Não é uma conta virtual.

Como lhe tenho vindo a explicar ao longo destas semanas, qualquer lucro em Fundos de investimento pode ser temporário e as “perdas” fazem igualmente parte do percurso. Se perceber isto, nunca se sentirá enganado.

Porque faço isto

Em 2019 decidi começar a investir em Fundos de Investimento. Nunca na minha vida tinha investido em produtos sem garantia de capital. Sempre tive medo destas coisas. Mas decidi arriscar e estou aqui, como um cliente bancário “normal” a partilhar consigo a minha experiência.

Algumas pessoas criticam-me por estar a falar deste tipo de investimentos de risco sem ser profissional da área. Mas acredito que é isso mesmo que dá algum interesse a estes meus artigos. São MESMO as experiências de uma pessoa normal que está a aprender e a dizer-lhe o que estou a descobrir e o que estou a ganhar e a perder com isso. Para que você aprenda também. Depois o que você faz é consigo. Recordo-lhe que em Março estive a perder com os meus fundos (que agora estão a dar lucro) cerca de 30%, mas decidi esperar e não resgatar. Não quero que pense que isto são “rosas”.

Concluí que de facto, para fazer crescer o nosso dinheiro, em algum momento, terá de colocar parte do seu dinheiro em produtos sem capital garantido.

O que vai encontrar aqui são dados reais (os meus) e não simulações de um banco ou corretora.

Expliquei neste artigo AQUI porque estou a fazer isto, onde tem vários avisos e explicações sobre os bancos onde tenho estes fundos – que deve ler – sobre porque deve conhecer várias alternativas de investimento. Quero que perceba que, ao contrário dos depósitos a prazo, o seu dinheiro sobe e desce todos os dias. Se isso lhe faz confusão, não se meta nisto.

Quando ganhar dinheiro digo, quando perder também digo. Não lhe estou a vender nada, apenas quero partilhar informação. Nenhum artigo neste blogue é pago por ninguém. O meu objetivo é unicamente contribuir para a nossa literacia financeira.

Semana de 5 de Novembro de 2020

Comecemos como habitualmente com o desempenho semanal dos meus 3 fundos “Poupança Covid-19”.

Fundos (ainda) positivos

Breve contexto: Em minha casa eu e a minha mulher poupámos várias centenas de euros (porque ambos continuámos a trabalhar) durante esses meses da Covid-19. Decidimos pegar nesse dinheiro e (já que seria dinheiro que seria entregue às gasolineiras, restaurantes, escolas, portagens, etc.) investi-lo com mais risco. Felizmente conseguimos dar-nos a esse “luxo”. Há famílias que devem colocar este dinheiro num Fundo de emergência (depósito a prazo) e NUNCA os colocar em produtos de capital não garantido.

Subscrevi um fundo com o que a minha mulher não gastou durante o Estado de emergência (combustíveis e alimentação = 225,75 €), outro com o que o meu filho mais velho não gastou (passes e alimentação na escola = 153,12 €) e outro com o que o meu filho mais novo não gastou (a mensalidade da escola privada baixou e não teve atividades extracurriculares = 248,26 €). A situação neste momento é a seguinte:

Esta semana

Semana anterior

Como pode verificar, um subiu ligeiramente e dois desceram. O do meio desceu para metade do que estava a crescer na semana passada. Como já expliquei várias vezes, cada um tem comportamentos diferentes conforme o cabaz de ações (setores e zonas geográficas) que tem lá dentro.

Recordo que dois dos fundos são em moeda estrangeira (dólares americanos e dólares canadianos) por isso tenho de fazer as contas ao câmbio. O banco faz essas contas por mim e estão no gráfico abaixo.

Em resumo, 17 semanas depois, na média dos 3 fundos ainda ESTOU A GANHAR DINHEIRO (embora menos), como poderá ver no gráfico.

Se resgatasse hoje os fundos que subscrevi no início de Julho, ganharia 14,78 € brutos. Não é grande coisa, mas é muitas dezenas de vezes mais do que se tivesse o dinheiro num depósito a prazo.

Ao resgatar, teria de descontar no ano que vem 28% para o IRS anexando o Modelo respectivo de rendimentos no estrangeiro, ou de taxa liberatória retida na fonte se forem fundos nacionais (nos depósitos a prazo seria exatamente a mesma coisa). Não é melhor nem pior na questão de impostos. Só paga o devido de forma diferente (no IRS, no ano seguinte ao resgate).

Se um dia subscrever Fundos de Investimento pela primeira vez escolha em euros para ter uma leitura mais fácil para si e siga as instruções dos gestores de conta profissionais do banco ou corretora.

No total dos 3 fundos, no dia 16/07/2020 subscrevi 627,13 € e se os resgatasse neste momento devolviam-me 641,91 €.

Se acha que são valores pequenos, só tem de multiplicar por 100. Se tivesse investido 6.200 euros nos mesmos 3 fundos, teria passados 4 meses e uns dias, mais 140 euros brutos.

Ou seja, é desta forma que pode colocar o dinheiro a trabalhar para si. Tendo dinheiro (poupando-o e investindo-o) pode ao longo do tempo viver melhor.

Repito o alerta de sempre que esta estratégia é APENAS para uma pequena parte das suas poupanças a que se possa dar o “luxo” de perder. Não têm capital garantido.

Se na altura em que precisar desse dinheiro os seus Fundos estiverem negativos, o “segredo” é fazer de conta que esse dinheiro não existe e gasta, sim, do seu bolso. E espera que recuperem. Isto quase não tem mais ciência nenhuma.

Os meus outros fundos

Tenho um fundo “principal” que tento reforçar todos os meses, independentemente do que estiver a acontecer nas Bolsas. Sempre que posso subscrevo duas unidades (é o mínimo, de acordo com as regras deste fundo). Interessa-me o longo prazo e não o curto prazo. Veja como está esta semana:

Como pode ver, a unidade que tem vindo a crescer mais (que subscrevi a 13 de Março) já esteve a crescer 40% (o máximo de sempre, a 12 de Outubro), mas esta semana desceu para 31%.

A unidade que subscrevi no dia 2 de Outubro (há 1 mês) entrou em terreno negativo. Faz parte do dia a dia de quem investe em Fundos de Investimento.

Se descer mais talvez reforce com mais duas unidades, se tiver esse dinheiro disponível. Neste momento não tenho porque desviei dinheiro de outras poupanças para os PPR.

O outro fundo que mantenho neste banco, voltou a descer também. Esteve nos 15%, mas desceu esta semana para 6%, como pode ver no print screen acima. Perdeu 10% em duas semanas.

NOTA PERMANENTE: Recordo que se resgatar um fundo, o banco começa pelas unidades mais antigas. Não posso dizer que quero resgatar “aquela” dos 30 e tal por cento. É a regra do “first in, first out” (o primeiro a entrar é o primeiro a sair). Também deve perceber isto desde o princípio. Não pode escolher. Mas não tem de resgatar o fundo TODO. Pode ser só metade ou um terço ou um determinado valor e eles fazem as contas. Ou pode resgatar um fundo que está a dar lucro e deixar lá os que estão a dar prejuízo.

Pode investir pequenas poupanças. Não é preciso ser rico para ter um fundo de investimento (bastam 15 ou 20 euros, outros “custam” 100, 200 ou 300 euros). No print screen acima tem lá os valores que investi.

Cada fundo, sua rentabilidade

Nestes outros fundos, noutro banco, todos desceram a rentabilidade esta semana. 2 subiram e 3 desceram. O que estava negativo, ficou ainda mais negativo. Imagino que é isto que assusta quem nem sequer pensa em arriscar em investimentos sem capital garantido. Só lhe digo que faz parte. Ou arrisca ou não arrisca. Não há problema nenhum em não fazer isto, OK?

O que pretendo mostrar-lhe é que o que conta ao longo do tempo é a MÉDIA de todos os seus investimentos e não apenas um que cresce muito ou um que desce muito. O fundo “melhor” neste momento está a crescer 11,99% e o “pior” está negativo -6,22% (mais negativo do que na semana passada). Repito, todos estes fundos NÃO TÊM garantia de capital. O que vou fazer com o que está negativo? Nada. Vou continuar a esperar.

Esta semana

Na semana passada

Quando resgato?

Pode ter duas estratégias: ou resgata sempre que atingir o seu objetivo em termos de juros ou decide manter vários anos à espera que (apesar do sobe e desce) vá sempre subindo ano após ano durante 10, 20 ou 30 anos.

Outra dúvida que as pessoas têm é se o que cresce este ano acumula com o crescimento do ano que vem. Sim e não. Não acumula no sentido em que fica fechado o que cresceu este ano e começa outra vez do zero a 1 de Janeiro. Não é assim que funciona.

O fundo cresce (ou desce) em relação ao dia em que o subscreveu. Depende dos valores em bolsa de cada uma das empresas que fazem parte de cada fundo. Se elas cresceram em relação ao dia em que subscreveu vai ganhar (ou perder) a diferença face ao dia em que resgatar.

Pode ter um fundo que cresceu 10% ao ano ao longo de 10 anos (ou seja, duplicou o investimento) e apanha uma “pandemia” no ano 11 e de repente volta a estar negativo e perdeu todo esse “crescimento”. Também pode subscrever este ano e estar a ganhar 15% no ano que vem. Só você é que pode decidir o que fazer com o que estiver a ganhar a cada momento. Está sempre tudo à distância de um clique no computador.

Volto para a semana com mais um balanço.

Veja neste vídeo como subscrevi os meus fundos.

Avisos

Nunca deve ver a minha carteira de investimentos ou o que eu digo como um conselho sobre como e onde deve investir ou que fundos deve escolher. Há milhares de fundos. 

Não tenho qualquer formação financeira e sou um simples cliente bancário com muita curiosidade. Quando quiser subscrever fundos pela primeira vez deve contactar um gestor especializado no seu banco ou corretora. Nunca invista dinheiro de que vai precisar para outros fins. Pode perder dinheiro, se precisar levantá-lo numa altura em que estiver com valores negativos e não puder esperar meses ou anos até que eles recuperem.



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