Os meus fundos de investimento – Balanço da semana #13 (5 de Outubro)




Fundos de investimento – Balanço semanal

Já passa da meia-noite quando estou a escrever este balanço semanal. Foi um dia cheio. Hoje (quarta-feira) tive a oportunidade de, a convite da Associação Portuguesa de Bancos,  moderar um painel com diretores de bancos portugueses numa escola em Sintra. A ideia era aproveitar a Semana Mundial do Investidor para ensinar os mais novos que PODEM investir o seu dinheiro e como o devem fazer.

Mais uma vez, todos os especialistas recomendaram aos alunos que comecem sempre pelos Fundos de Investimento como a ferramenta mais simples e com menos risco (do que as ações) por causa da diversificação e por serem geridas por profissionais e não por nós próprios.

Foi também o que eu descobri há cerca de 2 anos. Agora imaginem que eu tinha sido um dos alunos que esteve hoje naquela escola e que tinha começado a investir aos meus 18 anos o valor que sobrava da minha mesada, em vez de ter posto tudo o que tinha numa conta à ordem ou a prazo para depois gastar na primeira coisa que me apetecia (foi a história da minha vida). Mas mais vale tarde do que nunca.

Esta semana reforcei o lucro da semana passada. Se bem se recordam, em várias semanas estive a perder dinheiro. É mesmo assim. No momento em que escrevo, o valor que investi em Julho nas minhas “Poupanças Covid-19” cresceu 3% (estamos a falar de 3 meses).

Os avisos do costume

Recordo-lhe que não sou um profissional desta área. Sou um cidadão curioso que está a partilhar a experiência consigo. Não são conselhos para fazer o que quer que seja. A única coisa que tenho para lhe mostrar são resultados reais absolutamente rigorosos e sem filtros. Ganho, ganho, perco, perco. É o meu dinheiro. Não é uma conta virtual.

Como lhe tenho vindo a explicar ao longo destas semanas, qualquer lucro em Fundos de investimento pode ser temporário e as “perdas” fazem igualmente parte do percurso. Se perceber isto, nunca se sentirá enganado.

Porque faço isto

Em 2019 decidi começar a investir em Fundos de Investimento. Nunca na minha vida tinha investido em produtos sem garantia de capital. Sempre tive medo destas coisas. Mas decidi arriscar e estou aqui, como um cliente bancário “normal” a partilhar consigo a minha experiência.

Algumas pessoas criticam-me por estar a falar deste tipo de investimentos de risco sem ser profissional da área. Mas acredito que é isso mesmo que dá algum interesse a estes meus artigos. São MESMO as experiências de uma pessoa normal que está a aprender e a dizer-lhe o que estou a descobrir e o que estou a ganhar e a perder com isso. Para que você aprenda também. Depois o que você faz é consigo. Recordo-lhe que em Março estive a perder com os meus fundos (que agora estão a dar lucro) cerca de 30%, mas decidi esperar e não resgatar. Não quero que pense que isto são “rosas”.

Concluí que de facto, para fazer crescer o nosso dinheiro, em algum momento, terá de colocar parte do seu dinheiro em produtos sem capital garantido.

O que vai encontrar aqui são dados reais (os meus) e não simulações de um banco ou corretora.

Expliquei neste artigo AQUI porque estou a fazer isto, onde tem vários avisos e explicações sobre os bancos onde tenho estes fundos – que deve ler – sobre porque deve conhecer várias alternativas de investimento. Quero que perceba que, ao contrário dos depósitos a prazo, o seu dinheiro sobe e desce todos os dias. Se isso lhe faz confusão, não se meta nisto.

Quando ganhar dinheiro digo, quando perder também digo. Não lhe estou a vender nada, apenas quero partilhar informação. Nenhum artigo neste blogue é pago por ninguém. O meu objetivo é unicamente contribuir para a nossa literacia financeira.

Semana de 5 de Outubro de 2020

Comecemos como habitualmente com o desempenho semanal dos meus 3 fundos “Poupança Covid-19”.

Fundos continuam a crescer

Breve contexto. Em minha casa eu e a minha mulher poupamos várias centenas de euros (porque ambos continuámos a trabalhar) durante esses meses da Covid-19. Decidimos pegar nesse dinheiro e (já que seria dinheiro que seria entregue às gasolineiras, restaurantes, escolas, portagens, etc.) investi-lo com mais risco. Felizmente conseguimos dar-nos a esse “luxo”. Há famílias que devem colocar este dinheiro num Fundo de emergência (depósito a prazo) e NUNCA os colocar em produtos de capital não garantido.

Subscrevi um fundo com o que a minha mulher não gastou durante o Estado de emergência (combustíveis e alimentação = 225,75 €), outro com o que o meu filho mais velho não gastou (passes e alimentação na escola = 153,12 €) e outro com o que o meu filho mais novo não gastou (a mensalidade da escola privada baixou e não teve atividades extracurriculares = 248,26 €). A situação neste momento é a seguinte:

Esta semana

Semana anterior

Como pode verificar, todos os fundos subiram face aos valores anteriores. Foi uma boa semana.

O “American growth” subiu de 0,31% para mais de 3% em poucos dias.

O “MSS US Advantage”, que já esteve a crescer 13,41 %, desceu para 2%, mas já está novamente a crescer 9%.

O “UBS-CAD” mantém-se mais ou menos na mesma.

Acompanhar esta evolução semanalmente, permite-me começar a ter fundos “preferidos”. É nesta fase que posso começar a pensar em reforçar algum deles. Se eu sei que há um que consegue chegar facilmente a valores mais altos mesmo em alturas de crise, começo a planear que num dia em que eu venha ao homebanking e ele está em queda, talvez até com valores negativos, saberei que pode ser uma boa estratégia comprar nesse dia porque estarão em “saldo” e assim que recuperar ganharei o “dobro”.

Como já lhe expliquei, como dois dos fundos são em moeda estrangeira (dólares americanos e dólares canadianos) tenho de fazer as contas ao câmbio. O banco faz essas contas por mim e estão no gráfico abaixo.

Em resumo, 13 semanas depois, na média dos 3 fundos ESTOU A GANHAR DINHEIRO, como poderá ver no gráfico.

Se resgatasse hoje os fundos que subscrevi no início de Julho, ganharia 18,57 € brutos. “Ah, mas isso é muito pouco…”. Recordo que para ter esse mesmo valor em juros teria de ter 18 mil euros num depósito a prazo e esperar um ano. E já tenho esse valor em 3 meses com 620 euros. Está a ver a diferença?

Ao resgatar, teria de descontar no ano que vem 28% para o IRS anexando o Modelo respectivo de rendimentos no estrangeiro, ou de taxa liberatória retida na fonte se forem fundos nacionais (nos depósitos a prazo seria a mesma coisa). É exatamente igual aos depósitos a prazo. Não é melhor nem pior na questão de impostos.

Se um dia subscrever Fundos de Investimento pela primeira vez escolha em euros para ter uma leitura mais fácil para si e siga as instruções dos gestores de conta profissionais do banco ou corretora.

No total dos 3 fundos, no dia 16/7/2020 subscrevi 627,13 € e se os resgatasse neste momento devolviam-me 645,70 €.

Repito o alerta de sempre que esta estratégia é APENAS para uma pequena parte das suas poupanças a que se possa dar o “luxo” de perder. Não têm capital garantido.

Os meus outros fundos

Tenho um fundo “principal” que tento reforçar todos os meses, independentemente do que estiver a acontecer nas Bolsas. Sempre que posso subscrevo duas unidades (é o mínimo, de acordo com as regras deste fundo). Interessa-me o longo prazo e não o curto prazo. Veja como está esta semana:

Como pode ver, a unidade que tem vindo a crescer mais (que subscrevi a 13 de Março) já esteve a crescer 36,47%, desceu para 32,53% e esta semana regressou aos 35%.

A unidade que subscrevi em Setembro (a mais recente) está a crescer 2,15%. Os depósitos a prazo rendem 0,15% ou 0,20%. Percebe porque deve manter apenas o seu Fundo de emergência em depósitos a prazo e o que “sobra” em outras ferramentas de investimento?

O outro fundo que mantenho neste banco, voltou a subir um pouco. Estava nos 12,86%, mas subiu esta semana para 13,27%, como pode ver no print screen acima.

É mesmo assim. Depende de como as ações contidas nos respetivos “cabazes” se comportaram na bolsa nos últimos dias.

Recordo que se resgatar um fundo, o banco começa pelas unidades mais antigas. Não posso dizer que quero resgatar “aquela” dos 30 e tal por cento. É a regra do “first in, first out” (o primeiro a entrar é o primeiro a sair). Também deve perceber isto desde o princípio. Não pode escolher. Mas não tem de resgatar o fundo TODO. Pode ser só metade ou um terço ou um determinado valor e eles fazem as contas. Ou pode resgatar um fundo que está a dar lucro e deixar lá os que estão a dar prejuízo.

Pode investir pequenas poupanças. Não é preciso ser rico para ter um fundo de investimento (bastam 15 ou 20 euros, outros “custam” 100, 200 ou 300 euros). No print screen acima tem lá os valores que investi.

Cada fundo, sua rentabilidade

Nestes outros fundos, noutro banco, 4 estão positivos e um está negativo.

O que pretendo mostrar-lhe é que o que conta verdadeiramente ao longo do tempo é a MÉDIA de todos os seus investimentos e não apenas um que cresce muito ou um que desce muito. O fundo “melhor” neste momento está a crescer 13,64% e o “pior” está negativo -3,54% (menos negativo do que na semana passada). Repito, todos estes fundos NÃO TÊM garantia de capital. O que vou fazer com o que está negativo? Nada. Vou esperar.

Esta semana

Na semana passada

Quando resgato?

Pode ter duas estratégias: ou resgata sempre que atingir o seu objetivo em termos de juros ou decide manter vários anos à espera que (apesar do sobe e desce) vá sempre subindo ano após ano durante 10, 20 ou 30 anos.

Outra dúvida que as pessoas têm é se o que cresce este ano acumula com o crescimento do ano que vem. Sim e não. Não acumula no sentido em que fica fechado o que cresceu este ano e começa outra vez do zero a 1 de Janeiro. Não é assim que funciona.

O fundo cresce (ou desce) em relação ao dia em que o subscreveu. Depende dos valores em bolsa de cada uma das empresas que fazem parte de cada fundo. Se elas cresceram em relação ao dia em que subscreveu vai ganhar (ou perder) a diferença face ao dia em que resgatar.

Pode ter um fundo que cresceu 10% ao ano ao longo de 10 anos e apanha uma “pandemia” no ano 11 e de repente volta a estar negativo e perdeu todo esse “crescimento”. Também pode subscrever este ano e estar a ganhar 15% no ano que vem. Só você é que pode decidir o que fazer com o que estiver a ganhar a cada momento. Está sempre tudo à distância de um clique no computador.

Volto para a semana com mais um balanço.

Veja neste vídeo como subscrevi os meus fundos.

Avisos

Nunca deve ver a minha carteira de investimentos ou o que eu digo como um conselho sobre como e onde deve investir ou que fundos deve escolher. Há milhares de fundos. 

Não tenho qualquer formação financeira e sou um simples cliente bancário com muita curiosidade. Quando quiser subscrever fundos pela primeira vez deve contactar um gestor especializado no seu banco ou corretora. Nunca invista dinheiro de que vai precisar para outros fins. Pode perder dinheiro, se precisar levantá-lo numa altura em que estiver com valores negativos e não puder esperar meses ou anos até que eles recuperem.



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7 comentários em “Os meus fundos de investimento – Balanço da semana #13 (5 de Outubro)

  1. Avatar
    Rui Quelhas Reply

    Boa tarde Pedro, tambem estou a investir no Bondora e agora no Housers. como é que o Pedro declara ou vai declarar os rendimentos obtidos nestas plataformas?

  2. Avatar
    Vítor Reply

    Bom dia,

    Venho dar-lhe os parabéns pelo seu trabalho jornalístico. Confesso, ser admirador dos seus textos e do seu pragmatismo no contexto da área das Finanças pessoais. Além da ausência de pretensiosismo que denota e pelo qual, particularmente lhe congratulo.

    Recentemente, num dos artigos que publicou, o Sr. fez algo salutar nomeadamente disse em que produtos investia. É uma mentalidade que nem sempre se observa em Portugal e o Sr. fez. Parabéns. A mensagem daí resultante para os seus leitores é: “Sou transparente, honesto e credível”.

    Nesse contexto, reparei que investe em crowdfunding empresarial (Raize), e imobiliário (Housers), criptomoedas, PPRs, ações (através de fundos mutualistas e etfs) e PPRs.

    Humildemente digo: não investiria em crowdfunding pois o risco não compensa o eventual lucro. Essas Empresas p2p são fiscalizadas por quem nacionalmente? Quem audita as contas de quem serve de intermediário? A pessoa não paga. O a empesa intermediária cobre o seu dinheiro ou os juros? Que garantias oferece?

    Bitcoin. Há uma perceção de valor. Mas quem define esse valor? O que há de útil e tangível para dizerem que uma bitcoin na atualidade vale quase 9 000€ e porque não 20 000€ já agora? Funciona como moeda mas na realidade é património.

    Fundo de Reserva, sim. PPR, sim. ações, sim. Se é para arriscar que seja em ações. uma ação é um valor tangível na medida em que tem sempre uma empresa por trás onde o investidor pode seguir o seu desempenho diariamente, se quiser. O mercado de ações é regulado e os relatórios e contas não podem ser inventados porque existem auditórias independentes. O inconveniente é que ações de empesas com bons negócios são caras para o pequeno investidor. Obrigações, sim.

    Um abraço

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Obrigado Vítor. Concordo com o seu ponto de vista. Sei os riscos que corro. Também tenho ações que compro e vendo através da Degiro. Há ações que custam 40 ou 50 cêntimos, e outras que custam 500 euros. Quanto aos crowdfunding testo porque sei que fazem parte do futuro/presente. Por razões profissionais quero conhecer como funcionam. Como percebi como funcionam e sei os riscos diversifico também nessas. Vou dizendo como corre. Se um dia me arreoender, direi. Mas o que percebi é que se tiver medo de tudo nunca farei nada 🙂

      • Avatar
        Vítor Reply

        Olá Sr. Pedro,

        Pois uma ação de 0.50€ é uma empresa “junk”, lixo.
        Uma ação como deve ser: Microsoft (MSFT), credit rating AAA (maior do que o rating de Portugal, inclusive – muito maior…) preço por ação 221.40 dólares (200.63€)

        Outra boa:

        Johnson & Johnson (J&J) rating AAA 151.84 US.

        Mais: APPLE INC. (AAPL) RATING AA+, PREÇO 124.40 US (estou com lucro de ~20% na Apple nem um mês passou desde que abri a posição…)

        Mas há outras a alemã MERCK, a Nestlé…

        São empresas que pode adicionar na carteira, esquecer e dormir descansado.

        Nenhuma empresa que recorre ao crowdfunding oferece segurança. Se não se conseguem financiar na banca por métodos tradicionais é por alguma coisa, suspeito.

        Mas é só uma opinião típica de conversas de sofá 🙂

        • Pedro Andersson
          Pedro Andersson Post authorReply

          Por curiosidade, ontem vendi as ações de 50 cêntimos a que faço referência no meu livro mais recente. Vendi com 100% de lucro. Tinha comprado em fevereiro. Sorte? Talvez. Já tenho as férias do ano que vem pagas 🙂

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            Vítor

            Pois, de facto teve “sorte” ou uma informação privilegiada, quiça, afinal de contas, o Sr. não é uma pessoa comum.

            Comprar muitas ações de 0.50€ com perspetivas de crescimento exponencial eu não conheço e penso que especular não é investir mas há quem viva de especulação nos mercados financeiros (e a maioria perde).

            Em relação há diversificação, também não tenho nada contra.
            Mas, acredito eu, os seus benefícios acabam a partir de determinado número.

            Depois, é preciso ver a qualidade dos ativos em si.
            Tem 4 empresas. Uma de reputação mundial, outra de reputação continental, a terceira de reputação nacional e a quarta é de reputação regional. O risco subjacente a cada uma dessas empresas é díspar. Talvez seja melhor colocar tudo no ativo que dá 99% de garantias de cumprimento.

            Se diversificar por 4 “pesos-pesados” de igual valia é diferente.

            Quando um ativo promete um yield muito acima da média ou as garantias que oferece são poucas ou já está com mau desempenho. Ou seja, há probabilidade de default e “10%” de 0 é… 🙂

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