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Garrafas de gás – Comerciantes já podem voltar a cobrar o que quiserem

Escrito por Pedro Andersson

04.05.20

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8 min de leitura

Acabou o preço fixo (foi bom enquanto durou)

Quem aproveitou para comprar as garrafas – ou botijas, ou bilhas – mais baratas (a 22 €) fez bem. Neste momento se as for comprar já perdeu essa oportunidade. É que a medida era só durante o Estado de Emergência. E o Estado de Emergência acabou às 00h00 de Domingo. Esta segunda-feira voltamos aos preços “normais”.

Portanto, se hoje já for comprar uma botija de gás, já pagará provavelmente 27, 28 ou 29 euros e será perfeitamente legal. Deixou de haver preço fixo, regulado pelo governo. O Ministério da Economia já confirmou. Agora já só volta eventualmente a baixar se o Presidente da República voltar a decretar o Estado de Emergência. Duvido.

O que aprendemos nestes 15 dias sobre as garrafas de gás

Há males que vêm por bem. Devido à pandemia, o governo teve a coragem de fazer uma coisa que não vi fazer durante anos e anos. Mas só em relação ao gás. Para fazer o mesmo nos combustíveis dos carros, a mesma coragem faltou. Foi decidido regular novamente o preço das garrafas de gás (ou botija, ou bilhas, como quiser chamar).

O preço do gás de garrafa anda absurdamente alto e, como os preços são livres, cada revendedor vende ao preço que quer. E todos atiram os preços para cima. Uma botija de gás chega a custar 28 euros ou mais. E muitas famílias gastam uma garrafa e meia ou mesmo duas por mês. Para terem um termo de comparação, cá em casa pagamos cerca de 23 euros por mês em gás canalizado (e somos 4).

Portanto, o mês de Abril de 2020 abriu os olhos a muitos consumidores. Tenho a certeza de que muitos acham esta despesa de 26, 27, 28 ou 29 euros por cada garrafa “normal”. Não é. Alguém anda a ganhar muito dinheiro, tendo em conta os valores da matéria prima praticados nos mercados internacionais. Mas como ninguém se queixa, tudo corre bem para quem vende.

Claro que quem ganha não é o comerciante pequenino. É cá mais abaixo. Quem vende a garrafa de gás na pequena mercearia de bairro ganha sempre o mesmo, uns poucos euros em cada botija. O lucro fica todo na cadeia abaixo dele.

Como pode usar a informação a seu favor

Em Abril de 2020, as garrafas de gás tiveram preços máximos regulados durante o
Estado de emergência. Os preços passaram a ser fixos entre os 18,20 € e os 81,05 €, dependendo da capacidade e tipologia.

Durante o Estado de Emergência ninguém, no continente e em qualquer marca, pôde cobrar mais do que 21,15 € para as garrafas de gás butano com capacidade de 12,5 kg e 22 € para as de 13 kg. As pluma, por serem um produto de “luxo” não estavam abrangidas, por isso puderam cobrar o que quiseram.

Já o GPL propano, também na tipologia T3, teve um preço máximo de 18,20 € na
garrafa de 9 kg e de 22,24 € na garrafa de 11 kg.

No que toca à tipologia T5, o preço do GPL propano ficou nos 63,04 € na garrafa de 35 kg e nos 81,05 € na garrafa de 45 kg.

É uma realidade que muitos comerciantes tiveram de vender abaixo do preço de custo durante aquelas semanas. Mas o problema é que o consumidor quase não sentiu nada. Muitos vendedores venderam ao preço correto, mas aumentaram 400% ou 500% o valor da entrega em casa.

Ou seja, antes a botija custava 26 euros e levavam a casa (talvez cobrassem 1 euro ou 1,5 €, ou nada). Nestes dias, cobraram os 22 euros previstos na lei mas cobraram 4 ou 5 euros por cada entrega em casa.

Mas há uma coisa que não puderam impedir. É que na fatura (se a pediu, claro) ficou a saber exatamente quanto lhe cobram pela garrafa e pela entrega. Portanto, se fixar esses preços na sua cabeça ou numa nota no seu telemóvel a partir de agora pode comparar entre as várias lojas na sua aldeia, vila ou cidade.

Se lhe cobraram mais do que 1 euro ou euro e meio pela entrega pondere seriamente mudar de fornecedor.

Outra lição que pode retirar do que aconteceu é perguntar SEMPRE antes de comprar uma botija de gás quanto custa só a garrafa e quanto custa a entrega. Ao longo dos últimos anos, a pergunta sempre foi “Quanto é a garrafa de gás?” e a resposta (no caso da minha mãe) é sempre o valor total incluindo a entrega. Ou seja, o consumidor nunca sabe quanto custa realmente a garrafa. Não permite um termo de comparação. Agora já tem.

Uma garrafa de 13 kg custa 22 euros quando o preço do petróleo está em baixo. Não se esqueça, no entanto, que mesmo assim está caríssimo. A mesma botija, conforme informações de vários leitores do blogue que moram junto à fronteira, custa 13 euros em Espanha. Como está a perceber os portugueses estão a pagar quase o dobro que os espanhóis (não me vou meter na “guerra” dos impostos).

Evite a taxa de entrega

O preço do serviço de entrega é livre. Podendo, é o conselho da ERSE, vá buscar a
garrafa diretamente à sua loja habitual ou peça a alguém de confiança que o faça por si. Só por fazer isso pode poupar 3, 4 ou 5 euros.

Já sabe que 5 euros por mês são 60 euros ao fim do ano. Feitas as contas é um mês de eletricidade “de graça” ou cerca de 130 litros de leite (a moeda oficial do Contas-poupança).

Sim, sei que muitas pessoas não conseguem carregar uma botija de gás até ao segundo ou terceiro andares, ou não tem saúde para carregar uma botija de gás. Nesse caso procure o vendedor que cobre o valor mais baixo possível pela botija e pela entrega. Pergunte sempre, a partir de agora o valor da botija e da entrega. Vai ver que a sua pergunta vai fazer “milagres”. Quem vende vai perceber que não faz farinha consigo.

Pode também trocar a marca da garrafa de gás num posto de abastecimento de combustíveis ou num hipermercado mais perto da sua casa ou em qualquer loja.
Muitas vezes praticam-se preços absurdos, mas como o consumidor não se queixa continua tudo na mesma. Acredita mesmo que é a minha mãe que se vai queixar do que quer que seja? Ela encomenda o gás no telefone do vendedor que tem há décadas e paga o que lhe dizem. Tenho de ser eu à distância a dizer-lhe para ter cuidado.

Defenda os seus direitos

Portanto, defenda os seus direitos e dos seus familiares que dependem (e muito) das garrafas de gás. Para ter uma ideia, se uma garrafa custa 22 euros e está a pagar 27 euros, 25% do valor da botija é para a entrega. É perfeitamente possível que o vendedor ganhe mais com a entrega do que com a venda da botija. Isso não tem nada de mal, desde que você aceite pagar o que lhe pedirem.

Mas, como sabe, o conceito do “Contas-poupança” é sempre pagar o menos possível pelo mesmo serviço. Se na loja ao lado consegue exatamente a mesma garrafa (mesmo que seja de outra marca) com a mesma quantidade de gás (ou mais) mais barato, está à espera de quê? É dinheiro que fica no seu bolso para gastar como quiser (ou poupar).

Onde está o gás mais barato?

A DECO tem uma plataforma em que os dados são alimentados pelos próprios
consumidores. Alguns preços podem estar desatualizados mas deve espreitar sempre esta base de dados antes de comprar o seu gás. A plataforma está neste endereço https://www.deco.proteste.pt/poupe-na-botija/.

Basta clicar no mapa o seu concelho e fica logo a saber onde estão provavelmente os preços mais baratos. Basta ligar antes a confirmar os preços atuais e encomendar ou ir buscar.

Sei que muitos de vocês estarão a pensar que não vale a pena ter este trabalho por 2 ou 3 euros. Tudo bem. Nada contra. Mas se para si, qualquer euro faz diferença, então esta é a forma prática de poupar mais algum dinheiro todos os meses.



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10 Comentários

  1. Júlio Monteiro

    Sou distribuidor da Tutigas no Grande Porto, “Gondomar, Maia,Matosinhos e Porto”, valores já com levar a casa do cliente são:

    Propano 11 kg – 23 euros
    Butano 13 kg – 23.50 euros
    Propano 45 kg – 85 euros

    Valor inclui mudança de redutor

    Júlio Monteiro
    965553543

    Responder
  2. ANA SANTOS

    Após ter visto a publicação anterior sobre o preço do gás, aproveitei e no dia 23/4 comprei botija gás butano: 22€ gás + 3€ da entrega. Achei isto ridículo, pois nunca paguei entrega. Decidi seguir o conselho da publicação e enviei email a ASAE que encaminhou para a ENSE, no qual me respondeu: “o preço da entrega é fixo. Se puder, vá buscar”.
    Com esta resposta coloco a questão: de que serve reportar estas situações, se depois temos estas respostas?
    Basicamente os 25€ que paguei na altura do estado de emergência foi o mesmo valor que paguei em finais Nov 2019.

    Responder
    • Jorge Matos

      Numa próxima vez tente escrever sobre o que sabe. Empresa alguma com viaturas a circular e a pagar motoristas ganhou seja o que for nestes quase 15 dias. O ponto de venda, mercearia de bairro como lhe chama, não abdicou da sua margem habitual apesar do estado de emergência e do preço baixo (forçado) .

      Responder
      • Márcio Veiga

        Por acaso caro Jorge sei bem do que falo. Mas não alimentando outro tipo de discussão porque o que importa aqui é o preço do gás. Que no caso da PRIO é 17,50€ para 9kg e de 79€ para 45kg já com entrega em casa do cliente e com margem bruta não destrutível para a minha empresa para seu espanto. Qualquer questão basta procurar a PRIO. Obrigado.

        Responder
  3. Jorge Matos

    O Márcio, as minhas desculpas, o meu comentário é para o autor do artigo, que me assusta com o quanto me engana nos assuntos que não domino lendo sobre assuntos, como este, que sim. Não se aproveita uma linha do que escreveu.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Márcio. Não querendo entrar em polémica consigo, só tem uma maneira de saber se o estou a enganar ou não. É testar o que digo e ver se resulta. Não há outra maneira. Se não resultar, agradeço que me diga para perceber o que falhou e corrigir, se for o caso. Não estou aqui para enganar ninguém, pelo contrário. A minha intenção é sempre ajudar ( o que não impede que me possa enganar em algumas coisas, como é óbvio). No dia em que isso não acontecer, fecho o blogue. Deixa de fazer sentido.

      Responder
      • Márcio

        Caro Pedro. Deve ter havido algum mal entendido. Agradecemos-lhe muito o trabalho que faz e tem feito para esclarecer as pessoas. Sou um sério seguidor do Contas Poupança e o trabalho que faz é muito meritório. Eu, em primeiro lugar apenas quis complementar a sua informação sobre o que actualmente a PRIO no que diz respeito a preços e de seguida respondi ao Jorge. Penso que a sua reposta deveria ter sido dirigida ao Jorge e não a mim. Cumprimentos.

        Responder
  4. Ana Marques

    Uma vez que acha que sabe muito sobre o assunto ao ponto de fazer o texto que acabo de ler, deve achar que sabe do assunto, portanto, diga-me, em relação às empresas de distribuição de gás: quais são as despesas que têm? quanto são essas despesas? quanto custa a uma empresa de distribuição de gás a entrega de uma garrafa?
    E tem noção de que é o pequeno revendedor de mercearia quem determina o preço que cobra? Que a empresa distribuidora não pode determinar o preço do cliente da mercearia e que há casos em que estes têm mais lucro bruto do que a empresa distribuidora, já para não falar do lucro liquido?
    Para falar-se num site como este, pondo em causa o bom nome de empresas e empresários, convinha saber do que fala. A alternativa é informar-se devidamente ouvindo as partes ou calar-se.

    Responder

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