Devo pedir JÁ carência de capital no meu crédito à habitação?



Devo pedir já carência de capital no meu crédito à habitação?

Neste artigo referi que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) está disponível para aceitar em massa pedidos de carência de capital até 6 meses para quem está aflito para pagar a prestação do crédito à habitação. Parece-me ser uma excelente iniciativa do banco. Espero que outros sigam o exemplo. Mas não precisa esperar pelo banco. Deve avançar JÁ.

Muitas pessoas acabam de ficar sem rendimentos literalmente de um dia para o outro, até em negócios que estavam a correr bem. Isto é uma situação totalmente inesperada. Sem rendimentos, como vão pagar a prestação da casa, a eletricidade, a água e o gás? Vamos passar por momentos muito difíceis mas há várias coisas que pode fazer JÁ para se proteger. Uma delas é pedir imediatamente ao seu banco (seja ele qual for) carência de capital entre 6 e 24 meses.

Se o banco aceita ou não é outra história. Depende dos seus argumentos e se é um cliente de confiança ou não. Dificilmente um banco aceitará fazer esse “favor” a um cliente que no passado já falhou com várias prestações.

Antes de lhe explicar o que é isto, quer dizer-lhe com toda a franqueza que pedir isto foi o que me “safou” em 2008. Quando fiz contas percebi que dentro de 3 meses não teria dinheiro para pagar a prestação da casa. Fui ao banco pedir ajuda e foi essa a solução que me apresentaram. Nem sequer sabia que isto existia. A minha prestação baixou de 800 euros para cerca de 300 e isso salvou as minhas finanças pessoais. Negociei 2 anos de carência de capital e o meu crédito à habitação passou de 40 para 42 anos.

O que é a carência de capital de um empréstimo (habitação ou pessoal)?

Qualquer prestação bancária é composta por duas partes: amortização ao capital e pagamento de juros.

Prestação do crédito= Amortização do crédito (valor emprestado dividido pelo nº de meses que contratou) + Juros (Spread+Euribor) + Taxas + Impostos

A maior parte de nós não faz ideia do peso de cada uma destas parcelas. No meu caso pessoal, neste momento em que a Euribor está negativa e o meu spread é de 0,3 não pago nada de juros e só estou a amortizar capital. Portanto, se pedisse carência de capital à CGD e eles aceitassem ficaria 6 meses sem pagar prestação da casa. Só pagava as taxas e impostos e o seguro de vida.

Quem ainda paga juros, só pagaria essa pequena parte da prestação.

As desvantagens

A desvantagem é que assim que acaba o período de carência, a prestação vai aumentar caso mantenha o mesmo prazo de pagamento do crédito. Creio que na maior parte dos casos isso não é significativo porque serão mais 6 meses a dividir por 15, 20 ou 30 anos. O banco também ganhará marginalmente mais em juros se nessa altura a Euribor for maior do que agora e positiva. Porque pagará juros sobre mais 6 meses de “não amortização” do que continuasse a pagar sem interrupção.

As vantagens

Tem um alívio imediato da prestação, em muitos casos de cerca de 80% do valor habitual. Pode ser a salvação para alguns. É uma espécie de pausa para respirar no seu crédito à habitação, porque só paga os juros.

Exemplo Prático

Imagine que ainda deve 100.000 €. Atualmente amortiza 200 € por mês (exemplo fictício). Portanto, daqui a 6 meses deverá menos 1.200 €, ou seja, 98.800 €. E só pagará os seus juros sobre 98.800 € e assim sucessivamente.

Agora vamos supor que pede hoje os tais 6 meses de carência. Continua a pagar juros durante esses 6 meses sobre os tais 100.000 €. Daqui a 6 meses continua a dever quanto? 100.000 euros e com menos tempo para os pagar, a menos que peça para prolongar o prazo em 6 meses ou até mais se o banco aceitar. Pode ser outra solução.

Mesmo que o valor da prestação aumente passados esses 6 meses, pode usar esta estratégia para pegar no dinheiro que “poupou” para pagar dívidas de cartões de crédito por exemplo que têm juros medonhos. E assim, quando passarem os 6 meses já não tem a dívida do cartão de crédito e acaba por ficar com mais dinheiro na carteira ao fim do mês.

Pedir um período de carência de um empréstimo (em qualquer banco ou financeira) pode ser a solução para si. Não é uma solução perfeita, mas se está aflito é um balão de oxigénio importante. Não fique à espera que seja o banco a propor-lhe isso ou que seja o Governo a obrigá-los a fazer isso. O interesse é seu. Mexa-se antes da situação piorar.

É só ligar para o seu gestor de conta e pedir-lhe uma carência de capital de pelo menos 6 meses. Ele explica-lhe o resto. Não adie.



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19 comentários em “Devo pedir JÁ carência de capital no meu crédito à habitação?

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    JOSÉ CARLOS A A MARQUES Reply

    Boa tarde Sr Pedro

    Em complemento da informação sobre o deferimento de capital da CGD, quero informar que tive que abrir um PER em 2014 e o mesmo foi aprovado e terminado em Abril de 2015. Desde aí que estou a cumprir os pagamentos determinados e não mais entrei em incumprimento (até hoje). Entretanto, e para agravar a minha situação, estou sem emprego desde Janeiro e a minha esposa também não tem emprego.
    Na quarta (19/Março) solicitei informação à CGD sobre o acesso à moratória, na segunda feira deram-me esses procedimentos pelo que tratei de imediatamente solicitar o deferimento. Entretanto, recebi um email a informar que não teria acesso à moratória por ter tido incumprimentos e um PER. Pedi justificação desta resposta e recebi nivi email com a resposta:
    “Boa tarde Sr. José,
    Compreendemos a sua situação, mas tem de perceber que esta linha aprovada de carência de capital face ao COVID19, é uma medida especial devido à situação que estamos a atravessar e tem regras e condicionantes próprios que os clientes precisam de cumprir para ter acesso, e uma delas é o cliente não ter PER e estar no segmento verde ou Amarelo.

    Qualquer cliente que não cumpra as condições da medida está automaticamente excluído da mesma. (Pode consultar as condições em http://www.cgd.pt)

    No entanto podemos solicitar à nossa direção para que o Sr. José seja acompanhado outra vez pelo DAP, e aí junto do colega que será o seu gestor efetuar esse pedido. (Mas mais uma vez alerto que não será ao abrigo desta linha COVID19)”
    Ora, mais uma vez, quem precisa de ajuda está posto de parte

    Cumprimentos
    José Carlos Marques

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    Sandra Reply

    Estou desempregada e as prestações de s.desemprego acabam no principio de maio, ouvi o primeiro ministro anunciar há dias q os prazos iam ser prolongados e depois nada mais ouvi acerca deste assunto.Uma vez q o meu s.desmprego está quase a terminar e trabalho não haverá para breve.Será q esta lei ainda vai sair a tempo para q eu não fique sem trabalho e tb sem s.desemprego.Obrigada.

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    olopio costa Reply

    O suposto jornalista especialista em financas escreve : ” Negociei 2 anos de carência de capital e o meu crédito à habitação passou de 40 para 42 anos ”

    Grande negocio sim senhor ! Belo exemplo , a sua ultima prestaçao do credito sera quando tiver o quê ? 80 anos de idade ?! Nessa altura ainda tera capacidade financeira para pagar a prestacao ? E o seguro de vida ? Coitados dos herdeiros que ainda vao herdar a divida …

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    Michael Coelho Guerreiro Reply

    Boa tarde,
    Sou trabalhador independente na área da animação turística e tenho uma carrinha de 9 lugares qu estou a pagar ao banco. Agora com esta crise estou completamente parado.
    Neste caso posso pedir um período de carência ao banco?
    Obrigado

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    Gonçalo Costa Reply

    Boa tarde,
    Tenho um spread de 0, 4 na CGD, se pedir o período de carência, o banco pode alterar essa taxa depois de terminar o período de carência?
    Muito obrigado.
    Cumprimentos.
    Gonçalo Costa

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    Sofia Reply

    Da informação que disponho, a CGD vai permitir a carência de capital por 6 meses nos créditos hipotecários e 3 nos créditos pessoais. Durante esse período apenas serão pagos juros, não amortizado capital. O pedido pode ser efetuado por qualquer um dos intervenientes desde que o crédito não esteja em incumprimento. Mas atenção, como o prazo não é alterado, quando o período de carência terminar a prestação aumenta pois é recalculado o valor em dívida para o tempo de empréstimo restante. Deverá sempre solicitar uma simulação para perceber qual será o valor da prestação no final do período de carência.

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    Xana Gomes Reply

    Boa tarde Pedro. Estou desempregada desde que fiquei grávida. À quase 2 anos. É apenas o meu marido a trabalhar. Receamos que venha para casa por causa do covid 19. Acha que mesmo ele ainda estando a trabalhar podemos pedir carência? Obrigada

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    Pedro Ferreira Reply

    Boa noite Pedro. Nesta fase acha que ainda é possível pedir uma revisão para baixar o spred, ou com esta situação isso já não vai ser possível?

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    Estéfano Matos Reply

    Boa tarde sr. Pedro andersson antes de mais agradecer o seu trabalho, muitas dicas dadas já aproveitei.
    A minha questão prende se com o seguinte, qual o seu banco em que tem o crédito habitação, visto que o spread mais baixo que arranjo é de 1.2% e já com muitas adesões a programas do banco.
    Espero que continue as suas boas dicas.

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Olá. Consegui 0.3 na CGD em 2007. Nesta altura não encontra spreads assim. Atualmente 1.2 é um spread razoável. O melhor que conseguiria será 1.0.

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        Carla Seabra Reply

        Boa noite Pedro. Pode se pedir sobre todos os empréstimos ou só sobre o crédito habitação? Obrigada

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    Luis Filipe Reply

    Liguei para o EuroBIC acerca da carência de capital, e o que me foi dito, é que enquanto não houver nenhum comunicado, não podem fazer nada.

    Irei aguardar..

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    Olinda Franco Reply

    Bom dia Pedro,
    Falei agora com a Cofidis e já acionei a carência de capital. A minha prestação vai ser reduzida para metade entre Maio e Outubro, sendo o acerto feito no final do contrato, com o prolongamento de mais 6 meses. Falta ainda tratar com o Banco referente ao crédito habitação. Obrigada pela dica!

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    carla correia Reply

    olá bom dia tb acabei por ligar pr o meu banco de quais as situações(santander) visto ñ ter como pagar credito pessoal e habitação visto ser trabalhadora independente e família monoparental,e tendo a porta fechada ñ à como reter receita,sendo que já antes da semana do fecho da escola o peq. comercio já estava com dificuldade visto haver contacto directo. neste caso cabeleireiro. Ñ sei o que fazer pois na seg.social tb ainda ñ havia resposta a nivel de formulários…a resposta do banco foi que ainda ñ sabia de nada e que teria de esperar..mas dei a conhecer q ñ tha como pagar.obrigado e vamos todos ficar bem

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    Filipa Durães Reply

    Bom dia Pedro,
    Acabei de falar com a CGD e, neste momento, ainda não conseguem dar respostas, por isso não adianta ligarem para lá hoje por causa do assunto, só na segunda feira poderão, eventualamente, conseguir fazer calculos.

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    ana isabel silva Reply

    Neste período de quarentena, a minha escola fechou, e sem ter filhos, como se processa os vencimentos? A empresa é obrigada a pagar a 100% ou o estado avança com alguma percentagem? Obrigado.

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