A fórmula para calcular o reembolso do PPR no IRS



Como sei se vou receber a dedução do PPR?

Ou quando devo investir para maximizar o reembolso?

Tenho sugerido em vários artigos que ponderem investir em PPR como ferramenta de poupança/investimento e também para terem benefícios fiscais no IRS. Podem receber mais 300 a 400 euros de reembolso ou pagar esses valores a menos de imposto.

Embora subscrever um PPR seja (quase) sempre um bom investimento financeiro a médio/longo prazo, deve sempre simular primeiro para perceber se compensa incluí-lo ou retirá-lo do seu IRS no ano seguinte. E caso queira obter o máximo de dedução possível (que é sempre no máximo 20% do valor que investir) tem de levar em conta se já atingiu o limite geral das deduções no IRS.

Pode não valer a pena investir 2.000 euros por exemplo, mas só 700 ou 800 euros, se só tiver “disponível” algumas dezenas de euros para deduzir (partindo do princípio que esgotou os limites em saúde, educação e os outros). Ou até nada, se já atingiu o limite do que pode deduzir.

Basicamente o objetivo será, neste caso, “rapar o tacho” do que ainda puder deduzir no imposto para não deixar lá nada de “sobras” para o Estado sem necessidade. Atenção que isto não tem nada de ilegal. Trata-se apenas de boa gestão financeira: se temos direito a essas deduções, porque não aproveitá-las? É usar a lei a nosso favor. Há quem não tenha despesas de saúde ou educação e que vai buscar o IRS que reteve na fonte por subscrever um PPR.

Mas como é que eu sei se ainda vou buscar dinheiro com o PPR?

A conta parece (e é) complexa, mas vou simplificar ao máximo e penso que com esta explicação – se seguir todos os passos – vai fazer a conta em poucos minutos. Eu fiz a minha conta em cerca de 4 minutos. No meu caso, concluí que não vale a pena fazer um PPR porque já fui buscar tudo o que podia nas outras deduções. Mas cada caso é um caso. Veja o seu. O primeiro passo é imprimir (ou ter em PDF) a sua nota de liquidação do IRS mais recente.

Interessa-lhe anotar à parte dois campos na sua nota de liquidação. Coloque-os num papel ou numa folha de Excel: “Rendimento coletável” e “Total das Deduções sujeitas a limite (artº 78)”. Tem aqui nas fotos esses valores que deve procurar.

 

Agora vou começar a assustá-lo. Esta é a fórmula que está na lei para calcular se ainda pode ir “buscar” mais reembolso de IRS com o seu PPR. Não vai perceber nada. Mas não há problema. Vou explicar-lhe como se tivéssemos todos 5 anos.

A legislação é esta e resume-se ao seguinte. Até 7.091 euros de rendimento anual pode apresentar deduções de tudo até ao infinito.

Entre 7.091 até 80.640 € por ano é como na fórmula que lhe vou ensinar; e se ganha mais de 80.640 só pode deduzir no máximo 1.000 € ou nada.

7 – A soma das deduções à coleta previstas nas alíneas c) a h) e k) do n.º 1 não pode exceder, por agregado familiar, e, no caso de tributação conjunta, após aplicação do divisor previsto no artigo 69.º, os limites constantes das seguintes alíneas: (Redação da Lei n.º 7-A/2016 de 30 de março)

a) Para contribuintes que tenham um rendimento coletável igual ou inferior ao valor do 1.º escalão do n.º 1 artigo 68.º, sem limite; (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)

b) Para contribuintes que tenham um rendimento coletável superior ao valor do 1.º escalão e igual ou inferior ao valor do último escalão do n.º 1 do artigo 68.º, o limite resultante da aplicação da seguinte fórmula: (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)

€ 1 000 + (€ 2 500 – € 1 000) x

valor do último escalão – Rendimento coletável
—————————————————————
valor do último escalão – valor do primeiro escalão;

c) Para contribuintes que tenham um rendimento coletável superior ao valor do último escalão do n.º 1 do artigo 68.º, o montante de € 1 000. (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)

8 – Nos agregados com três ou mais dependentes a seu cargo, os limites previstos no número anterior são majorados em 5 % por cada dependente ou afilhado civil que não seja sujeito passivo do IRS.

Vamos a contas

Basta inserir os seus dois valores que mencionei acima nesta fórmula (para calcular em 2019). Atenção que para isto bater certo no IRS que vai entregar em 2020, teria de ter exatamente os mesmos rendimentos e as mesmas despesas que em 2018 (que entregou em 2019). Mas assim fica com uma ideia, caso a sua situação seja “igual” à do ano passado.

Passo 1:

80640 (valor do escalão máximo) – (o seu valor “Rendimento coletável” (linha 6 da nota de liquidação)) = X / 73549 (diferença entre o escalão máximo e o mínimo) = Y

Passo 2:

Y x 1500 = A +1000 = B

Passo 3:

B – (“Total das Deduções sujeitas a limite artº 78” na sua nota de liquidação do IRS) = Z (Este é o valor em Euros que ainda tem disponível para receber de dedução se subscrever um PPR)

Se lhe der um valor negativo, é porque não adianta fazer o PPR por razões fiscais. Pode fazê-lo mas não o coloque no IRS.

Se der um número positivo, fica a conhecer o valor em euros que ainda lhe sobra para deduzir os reforços do PPR.

Vamos imaginar que o número que lhe dá é 136. Isso quer dizer que deveria subscrever um PPR até um valor que lhe desse 20% o mais próximo de 136. Por exemplo, 20% de 700 € são 140 euros. Portanto, para “rapar o tacho” das deduções do IRS bastaria investir 700 euros este ano num PPR. Espero que tenha percebido como funciona para sermos o mais rigorosos possível.

Tem aqui este grafismo feito pela DECO nesta página que tem vários exemplos.

Saiba quanto pode deduzir do PPR no IRS

Dependendo da idade, o valor máximo do benefício fiscal varia:

até 34 anos, pode deduzir, no máximo, 400 euros, desde que aplique 2000 euros no PPR;
entre 35 e 50 anos, pode deduzir até 350 euros, desde que aplique 1750 euros;
a partir dos 50 anos, pode deduzir até 300 euros, desde que aplique 1500 euros.

Em resumo, faça estas contas “simples” e saiba quase ao cêntimo quanto lhe basta investir num PPR para rentabilizar ao máximo o seu reembolso do IRS. Se quiser dar-se ao trabalho de fazer uma fórmula com estes dados no Excel pode até partilhar com os seus amigos e colegas para eles ficarem com a papinha toda. Se já alguém tiver esta fórmula feita em Excel e quiser partilhar agradecemos todos :). Boas poupanças.



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24 comentários em “A fórmula para calcular o reembolso do PPR no IRS

  1. Avatar
    Pedro Reply

    Bruno, terá que obter a “demostração de liquidação de IRS” de 2018 ( pois é o ultimo ano fechado).

  2. Avatar
    Bruno Reply

    Boa tarde,

    De que forma se consulta no site para obter as tabelas usadas acima? A mim não me aparece o detalhe do rendimento coletável nem das deduções sujeitas a limite.

    Obrigado.

  3. Avatar
    Maria Lopes Reply

    E sim, já percebi, os detalhes da demonstração de liquidação só são válidos para os anos passados, para prever como vai ser antes do fim do ano temos mesmo que fazer as contas, mas ver como foi nos anos anteriores ajuda bastante.

  4. Avatar
    Maria Lopes Reply

    Natalie, muito obrigada, não tinha ainda reparado nesta possibilidade!
    Um bom ano para todos.

  5. Avatar
    Maria Lopes Reply

    Natalie, muito obrigada, já consegui ver como foram feitas as contas no ano passado!
    Mas aproveito para perguntar: é possível saber como vai ser a liquidação antes de entregar a declaração do ano, com estes detalhes? O apenas temos acesso à simulação, com a dedução total?
    Mais uma vez, obrigada e um bom ano para todos.

  6. Avatar
    natalie AMORIM Reply

    Boa tarde.
    Venho ajudar a Sra.Maria Lopes.
    Entrar no site das finanças com os seus dados de login.
    Colocar no quadrado das pesquisas “declaração irs” por exemplo.
    Vai aparecer outro quadro com “consultar declaração”, selecionar o ano que pretende.
    Depois clicar em “ver detalhe”.
    Aí vai aparecer outro quadro “detalhe da declaração de irs”.
    Clicar em “numero de liquidação”
    E pronto está lá para consultar ou imprimir.
    Espero ter ajudado. Bom ano para todos e boas poupanças.
    Natalie Amorim

  7. Avatar
    Maria Lopes Reply

    Olá a todos. Tenho uma dúvida talvez parva, mas lá vai. A única nota de liquidação que tenho à mão é a “certidão de liquidação do IRS” que se consegue obter no portal das finanças e nela não consta nenhum quadro com as deduções à colecta discriminadas nem o seu total, só aparece o primeiro quadro, que termina com o “valor a pagar”. Onde é que encontro o segundo quadro?

    • Avatar
      Armando Reply

      Boa tarde, eniei a fórmula para o Pedro Andersson, que logo que possível a disponibilizará depois de a testar e confirmar a sua utilidade. Peço desculpa de não a enviar por mail mas creio que não seria muito ético da minha parte.
      Cumprimentos,
      Armando

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    Francisca Reply

    Boa noite. Quando existem dependentes e agregado familiar possui 2 adultos, o valor do último escalão e primeiro escalão mantém-se igual ou é multiplicado por 2? Obrigada!

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    Sílvia Matos Reply

    Boa noite,

    Tenho uma questão:
    Quando o valor a reembolsar é idêntico ao valor retido na fonte, significa que já “rapámos o tacho todo” certo?
    No meu caso a coleta total é superior as retenções na fonte pro que concluo sempre que recebo o máximo que me é possível. Estou correta? É que neste caso, apesar de me dar um valor positivo após a aplicação da fórmula que indicou, se o meu raciocínio estiver correto é irrelevante investir em PPR porque não vou buscar essa dedução.

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    Pedro Reply

    Boa noite,

    Caso o IRS seja efectuado em conjunto, o valor a assumir no rendimento colectável máximo para deduções continua a ser 80640€? Como fazer nesses casos é igual?

    Obrigado

  11. Avatar
    Pedro Reply

    Uma questão que tenho é seguinte: um agregado familiar que tenha 2 titulares de rendimentos, onde um deles não faça retenção na fonte devido aos rendimentos baixos, também poderá beneficiar desta dedução do PPR? Ou seja, o agregado poderá deduzir 800 euros? Obrigado.

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